Dead Can Dance: neste dia em 1988 “The Serpent’s Egg” era lançado

Conexões diretas com Ingmar Bergman fizeram deste um dos maiores clássicos do duo Aussie

Por Luiz Athayde

A transição de ambientações góticas para o world music não poderia ser mais natural. Vindos de uma pegada bem etérea com os álbuns Spleen and Ideal (1985) e Within the Realm of a Dying Sun (1987), o próximo passo seria a adição de influências ou o retrocesso para algo mais básico como o pós-punk. E em seu quarto álbum, os australianos do Dead Can Dance deram um pequeno passo à frente.

Lançado mais uma vez pelo icônico carimbo 4AD, o disco contou com produção assinada pelo núcleo criativo Brendan Perry e Lisa Gerrard, mais o companheiro de estúdio John A. Rivers. Boa parte do álbum foi gravado no home studio ao apartamento de Perry.

Dead Can Dance em 1988

Sob os prismas da natureza e da sétima arte, a capa mostra uma visão aérea de um rio da Amazônia, como se fosse uma serpente. Linkando diretamente com um dos clássicos do cineasta sueco Ingmar Bergman, Perry teve a “luz” para o título do álbum: The Serpent’s Egg (O Ovo da Serpente).

Perry descreve o filme como “um experimento social nazista, colocando drogas na comida de outras pessoas, sem que elas soubessem, e as filmando por trás de espelhos, para ver quais eram seus pontos de ruptura.”

E continua:

“Era um filme realmente estranho, e o título sempre preso. E a imagem do rio que se abre para o estuário, você pode ver o banco de areia embaixo da água, esse é o ovo para mim, mas às vezes as coisas são tão subliminares, pois não há uma razão real para a escolha. Gostei do título e da imagem, mas eu amo o jeito que você pode ir do micro de uma selva à macro, olhando de cima, vendo rios como artérias no corpo, trazendo energia e força vital. expandindo sua mente e saindo para o universo maior. Também nos refere à música folk e mundial, tendo influências diferentes da América do Sul e da África.”

Curiosamente, a primeira empreitada “africana” na sonoridade do Dead Can Dance veio com a faixa “Mother Tongue”; sincera, mas ainda rudimentar se olharmos álbuns posteriores de sua discografia.

Mas o duo manteve as influências europeias com “The Host of Seraphim”, claramente inspirada em música búlgara.

The Serpent’s Egg lançava mão de uma maneira inovadora de misturar Neoclassical Darkwave, mas o reconhecimento só veio anos depois, com notas, por exemplo do AllMusic, dizendo: “Perry e Gerrard continuaram experimentando e aprimorando The Serpent’s Egg, tanto quanto o que Spleen and Ideal foi há alguns anos”, e rasgando elogios à “The Host of Seraphim”, do qual chamou de “tão impressionante que a única reação possível é a pura reverência”.

Foi também o álbum que mais serviu como samples e trilhas, com “The Host of Seraphim” figurando os filmes Baraka (1992), A Volta dos Bravos (2006), O Nevoeiro (2007) e Lords of Chaos (2018); além da repaginada de “Song of Sophia” em “Song to the Siren”, do The Chemical Brothers, em seu álbum Exit Planet Dust, de 1995.

No âmbito dos licenciamentos, lançamento mundial em LP, Cassete e CD, e reedição japonesa no disquinho compacto em 1990, e primeira edição mexicana também em CD no ano de 1995, para citar alguns. Há também uma série de piratas pelo Leste Europeu, mas com datas tão desconhecidas quanto a procedência de suas cópias.

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