Brendan Perry – Songs of Disenchantment (Music from the Greek Underground)

Desencanto da mente criativa do Dead Can Dance na verdade é um retorno às suas raízes musicais

Por Luiz Athayde

Simplesmente do nada o cantor, compositor e multi-instrumentista Brendan Perry  aparece com um novo álbum solo em nada menos que dez anos.

Brendan Perry (Divulgação)

Do nada para os entusiastas, claro, mas não para ele. Como o Dead Can Dance se encontra em mais uma entressafra, cada um caçou seu rumo novamente; Lisa Gerrard voltou a mergulhar fundo nas suas parcerias sônicas – incluindo trilha para TV, álbuns colaborativos e a mais notável participação no EP do The Mystery of the Bulgarian Voices, dentre outros… – enquanto que Perry chegou com Songs of Disenchantment (Music from the Greek Underground).

E o desencanto do músico inglês de nascença, australiano de criação e hoje residente na França na verdade se trata de um retorno às suas raízes musicais. Rebético; música popular urbana grega, split entre músicas europeia e do Oriente Médio. Nada fora do comum, já que Turquia não é apenas logo ali, como possui um longo (e nada amistoso) histórico com a Grécia.

Lá pelo final da década de 70, no subúrbio de Melbourne que Perry ouve esse tipo de música pela primeira vez, especificamente em centros comunitários frequentados por imigrantes gregos (majoritariamente velhos), jogando gamão, bebendo ouzo (bebida típica), bem como ouvindo Laika e Rebético.

“Acontece que eu também havia migrado para esses climas do sul da Inglaterra alguns anos antes e, por sorte, nosso meio de transporte para a viagem de seis semanas foi um velho navio grego chamado ‘Ellinis’. Foi a bordo deste navio que minha odisséia musical pessoal começou quando aprendi a tocar violão”, disse Brendan Perry ao contextualizar o álbum.

Tecnicamente “Songs of Disenchantment…”  é uma espécie de compilado de antigas canções compostas com instrumentos tradicionais gregos, e mais que isso: representa um trabalho de cunho antropológico, já que ele adentra no universo dos muquifos de  Atenas dos anos 1920 e 1930, quando os homens iam basicamente para comer, beber vinho, fumar narguilé e tentar a sorte dançando com alguma garota – e é bem sobre isso que as músicas falam.

E isso tudo em inglês, o que é algo inédito; fator principal para Perry compartilhar este universo através da língua inglesa, bem como despertar a curiosidade de viciados em música étnica/tradicional.

Outra parte fundamental acerca deste novo trabalho é que irá agradar em cheio quem curtiu e muito os dois últimos álbuns do Dead Can Dance; cortesia do Bouzouki, Santouri (respectivos instrumentos musicais) e os ciclos rítmicos com que cada música flui.

Mais um belíssimo registro de um músico que não possui limites quando o assunto é explorar música dos quatro cantos do planeta.

Ouça o álbum completo no Spotify:

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