As 10 Melhores Escavações Sonoras de 2019

No Class of Sounds, os melhores do ano não vieram da superfície

Por Luiz Athayde

Desde o começo da história da humanidade, listas de “melhores de” sempre serão injustas, por mais criteriosas que sejam. Mesmo para veículos segmentados, a tarefa é árdua, já que, principalmente nos últimos cinco anos, a quantidade de registros sônicos que saíram do forno não cabem no gibi.

Com o Class of Sounds a dificuldade foi a mesma, especialmente por lidarmos com os mais variados tipos de sons das mais diversas partes do globo.

Diferente mesmo foi a nossa lista, tanto que teve em consideração não somente fatores típicos como produção, originalidade, mas nossa pegada principal: a escavação; para fazer jus ao título.

Abaixo, os 10 melhores lançamentos de 2019, embora alguns nomes já regozijem status de estabelecidos dentro de suas respectivas esferas.

Confira!

10 – Terra Convexa – Terra Um

Capixabas de Vila Velha, este grupo é quase um bando de  aliens perdidos em solo terrestre, já que não se enquadram em nenhuma cena propriamente dita no Espírito Santo.

Guiados pelo prisma da música progressiva – rock, metal e nuances psicodélicas/espaciais –, fizeram sua estreia com o EP Terra Um, e desde então vem divulgando massivamente (no circuito autoral) este registro que é um dos mais imprevisíveis, hipnóticos e pesados da classe de 2019.

Resenha: https://classofsounds.com/terra-convexa-terra-um/

Spotify: https://open.spotify.com/album/1vlWNUrfNWPxjA1UP3LDCe?si=rAkmQQLSQWq4Xv37QtJRWw

9 – Grooving in Green – A Second Chance…

Falange gótica inglesa capitaneada pelo ex-Children on Stun e ativista Pete Finnemore (guitarras), devidamente acompanhado por Tron (vocais), Switchblade Switch (baixo) e o ex-Fields of the Nephilim Simon Rippin na bateria.

No currículo, mais de 10 anos, giros europeus, um punhado de EPs e 3 álbuns, sendo A Second Chance… o ponto alto de sua bela discografia. Traços nervosos de Bauhaus, The Cult, The Sisters of Mercy e afins, e letras mostrando o descontentamento do conjunto com o atual quadro político mundial.

Produção coesa, composições inspiradas e muita raiva. Gótico sim, mas, acima de tudo, rock.

Resenha: https://classofsounds.com/grooving-in-green-a-second-chance/

Spotify: https://open.spotify.com/album/2fhdxX0urWWoAesV0RreL1

8 – Sopor Aeternus & The Ensemble of Shadows – Death And Flamingos

A alemã Anna-Varney Cantodea odeia shows, pessoas e o que mais estiver ao seu redor, exceto compor e lançar música, para a alegria dos entusiastas dos sons obscuros.

Especialista em música gótica e suas variantes, o Sopor Aeternus surpreendeu com um álbum menos influenciado por música clássica e mais voltado para o deathrock. A resultante foi um registro extremamente negro, incômodo e carregado de negatividade, como não poderia ser diferente vindo de Cantodea.

Além de um dos melhores do ano, Death And Flamingos é sério candidato a ressoar anos à frente como um de seus álbuns mais consistentes.

Resenha: https://classofsounds.com/sopor-aeternus-the-ensemble-of-shadows-death-and-flamingos/

Spotify: https://open.spotify.com/album/4F85qRO7gIP1hq03n1yjq2

7 – Elephant9 – Psychedelic Backfire I & II

Esse ano teve jazz em dose dupla. Progressivo. Hard Rock. Psicodélico. Tudo isso. Rapaziada norueguesa de Oslo, da classe de 2006. Poucos álbuns e muitos improvisos – não só permitidos como necessários.

Encaixotaram suas jams em dois pacotes intitulados Psychedelic Backfire I e Psychedelic Backfire II, capas cores quentes e frias respectivamente. O segundo volume conta com o veterano local do Jazz Fusion Reine Fiske; para evitar margens de erro.

Excelente para devaneios movidos a café ou em um ritual sônico na sala com o seu toca-discos. Biscoito fino dos intricados.

Resenha: https://classofsounds.com/elephant9-psychedelic-backfire-i-e-ii/
Spotify 1: https://open.spotify.com/album/5zuTvpDKbDYzDBdLaCoyW0
Spotify 2 : https://open.spotify.com/album/0F16jxxR9A2ELTgnwdUNom

6 – The Secret Society – Rites of Fire

Diversão sim, brincadeira não. Os curitibanos do The Secret Society seguiram firme esta cartilha ao gerar sua estreia discográfica. Rites of Fire colide com o ápice de um grupo gerado das cinzas do industrialista Primal e ignição de uma máquina com muitos quilômetros para rodar.

Uma das grandes falhas das bandas nacionais é a carência de profissionalismo ao encarar seu trabalho, quando não é a pura falta do mesmo apesar das ótimas composições.

Felizmente Guto Diaz, Fabiano Cavassin e Orlando Custódio mesclaram as duas coisas e levaram o rock gótico de orientação metálica a um novo patamar nas produções brasileiras. Não à toa estamos diante de um álbum perfeito para içar voos internacionais, como já o fizeram em recente turnê com o The Sisters of Mercy.

Resenha: https://classofsounds.com/the-secret-society-rites-of-fire/?fbclid=IwAR2ZJvqH1zazzcWEG62m1qOaCNJibMGthHpc8EcLZsHlsiK_Ob8DzrN3GhE

Spotify: https://open.spotify.com/album/7Klf7qGg1iCG7xyyhNbt5s

5 – Twin Tribes – Ceremony

O que este duo texano fez para figurar esta lista foi trazer a simplicidade para o pós-punk. Papo reto mesmo, no melhor e mais grosso sentido do termo. Ceremony é o segundo petardo de Luis Navarro e Joel Niño juntos sob a alcunha Twin Tribes e já vem causando furor nos circuitos europeu e norte-americano.

Coldwave tão viajante quando Asylum Party, tão denso quanto The Cure em seus dias mais dark e zero enfeites, apesar de lançarem mão de sintetizadores e bateria eletrônica.

Resultado óbvio, mas fascinante; tudo o que é preciso está ali. Mais para quê?

Resenha: https://classofsounds.com/twin-tribes-ceremony/

Bandcamp: https://twintribes.bandcamp.com

4 – Theo Croker – Star People Nation

O quarto lugar foi nada menos que um maestro ao dialogar com sua geração – Croker é da classe de 85 – ao sobrepor as barreiras do radicalismo imposto pelo tradicionalismo do jazz.

Theo Croker assina seu registro número 4 esbanjando bom gosto ao adicionar R&B e hip hop ao seu charmoso jazz fusion.

Não obstante, o trompetista norte-americano também presta um tributo à sua ancestralidade, em faixas como “Alkebulan” e “Understand Yourself”, fruto da consciente criação vinda de seu pai fazendeiro e ativista pelos direitos civis, e mãe orientadora escolar.

Um dos discos de jazz mais potentes do ano.

Resenha: classofsounds.com/theo-croker-star-people-nation/

Spotify: https://open.spotify.com/album/4oxXzA5rNIBilAsmoK88Yg

3 – Babylove & The Van Dangos – The Golden Cage

A medalha de bronze vai para The Golden Cage, álbum dos soldados dinamarqueses do ska e rocksteady Babylove & The Van Dangos.

Clássico instantâneo, esta rapaziada formada nas docas de Copenhagen mostram que é possível se divertir com uma música pra lá de empolgante e, ainda assim, manter a pegada política dos primeiros (e reais) dias da música jamaicana.

Se este top 10 fosse deste gênero, a medalha de ouro estaria garantida!

Resenha: classofsounds.com/babylove-the-van-dangos-mostra-a-finesse-do-ska-em-the-golden-cage/

Spotify: https://open.spotify.com/album/3VCAP1Ayts58fx9tzqNcLD

2 – Capitol – Dream Noise

Medalha de prata, mas com sabor de ouro! Fantástica escavação feita em geleiras canadenses. Banda de Hamilton em processo gasoso desde 2017. Três singles na conta e este nocauteante registro de estreia calcado no shoegaze, pós-punk e até traços de space rock.

Composições melodiosas, consisas sem dever nada a grandes nomes como Lush, Slowdive, Cocteau Twins e demais sujeiras afins.

Candidato a clássico e com notas altas para passar no teste do tempo.

Resenha: classofsounds.com/capitol-dream-noise/

Spotify: https://open.spotify.com/album/24QWseaspRdk4cvo2dxKK3

1– Bernays Propaganda – Vtora mladost, treta svetska vojna

Primeiríssimo lugar para esta brigada anarco-punk-synth-indie-étnico-pop e o que mais couber da Macedônia, sítio arqueológico dotado de muita história e claro, bons sons.

A salada sônica engloba algumas influências inusitadas como Depeche Mode, New Order e Afrika Bambaataa, mas qualquer tentativa de encaixa-los nestas métricas é mera tolice.

Capitaneado pelo multi-instrumentista Vasko Atanasoski, um dos trunfos do grupo nativo da capital Escópia é o uso da sua língua materna, cantada por Kristina Gorovska, para entoar seu manifesto anti-opressão, sem deixar o fator entretenimento de lado.

Medalha de ouro por trazer algo único à classe de 2019, comumente chamado de original.

Resenha: https://classofsounds.com/bernays-propaganda-vtora-mladost-treta-svetska-vojna/
Spotify: https://open.spotify.com/album/3Yu1slfKsSTLL4YSWYN7z0

Deixe uma resposta