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Você Precisa Ouvir: Kitchens Of Distinction – Strange Free World (1990)

Entre o shoegaze e o dreampop, o estranho mundo livre do Kitchens Of Distinction traz o cinza como cor oficial de sua música

Por Luiz Athayde

Atualmente, quando se fala em shoegaze/dreampop, imediatamente lhe vem à cabeça medalhões como Ride, Slowdive, Lush e My Bloody Valentine. Ou mesmo bandas novas que estão no underground, mas que de alguma maneira se mantém em evidência. Já que o “indie”, ao se tornar um gênero musical, jogou uma luz no caminho para a superfície – incluindo o sentido figurado.

Kitchens Of Distinction não é medalhão e tão pouco novo. Formado na efervescente Londres de 1986 por um suíço (Patrick Fitzgerald – vocais/baixo), um galês (Julian Swales – guitarras) e um espanhol (Daniel Goodwin – bateria), o grupo começou bem lançando seu debut Love Is Hell (1989) pelo carimbo One Little Indian Records, de Derek Birkett, do seminal Flux Of Pink Indians.

Abertamente gay numa época em que era – ainda é – praticamente um crime se assumir homossexual, Patrick já lançava mão de letras provocativas, ora sob a sonoridade retilínea do pós-punk ora sob a suavidade do jangle pop.

No entanto, o salto foi significativo no segundo álbum. Os vocais de Patrick passaram a soar mais melódicos. O que já era direto manteve-se reto, e os esboços de uma atmosfera mais etérea tomou ares cada vez maiores; cortesia dos pedais e a destreza “fuzzy” de Julian para criar um ambiente quase gélido nos pouco mais de 43 minutos.

Strange Free World soa como se o REM passasse as férias de julho em Ponta da Fruta (Vila Velha, ES – destino de muitos mineiros, geralmente no verão) e desse de cara com baixas temperaturas, céu acinzentado e chuvas diagonais causadas por ventos cortantes.

Você precisa ouvir Strange Free World justamente porque mesmo em um dia ensolarado, faixas como “Quick As Rainbows”, “Aspray” e a ‘meio de tarde’ “Under The Sky, Inside The Sea” (para citar algumas) desenham climas como esse na mente do ouvinte.

Sem mencionar “Drive That Fast”, que sintetiza o álbum de maneira magistral. Não à toa, foi uma das músicas escolhidas da banda para o clipe.


Pequeno clássico perdido da classe de 1990 que merece à audição; de preferência sem capa de chuva.

Ouça Strange Free World na íntegra:

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