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Imagens: Skold, Björk, Ploho (Créditos: Reprodução/Youtube)

Top 20 Class Of Sounds: Os Melhores Videoclipes de 2022

Ano agitado inclusive nas produções audiovisuais

Por Luiz Athayde

Começar dizendo que 2022 foi marcado por dificuldades seria chover no molhado, especialmente para artistas da esfera independente. Então, deixando o drama de lado, confira um pouco do que saiu de melhor nas produções audiovisuais nesse ano nada menos que intenso em todas as camadas musicais.

20. BlackBraid – Sacandaga (Direção: Wolf Mountain Productions)

O subterrâneo norte-americano vive um efervescente caldeirão de bandas metálicas extremas com o prisma voltado para sua herança cultural. Europeia? Não. Indígena. E um dos maiores e mais promissores nomes vem das Montanhas Adirondack, no Estado de Nova York. Não foi por acaso que antes mesmo de seu disco de estreia Blackbraid I sair, nós fizemos uma exclusiva com o mentor Jon Krieger (leia aqui).

Por mais sombrio que o vídeo se mostre, “Sacandaga” traz belos takes da linda paisagem local, causando uma hipnose quase imediata a quem vê. Além da sonoridade gélida que o estilo tanto pede.


19. Viagra Boys – Ain’t No Thief (Direção: SNASK)

Rapaziada nova, mas seminais no âmbito videoclíptico. Em tempos tão sisudos e conservadores, nada melhor que uma boa zoeira para equilibrar, mesmo que custe pisar em certos calos. O single integra o mais recente álbum Cave World, que segundo a banda, é “inspirado em eventos atuais”.


18. Ghost Dance – Jessamine (Direção: Ghost Dance)

Após a reunião com o Skeletal Family ter falhado, a vocalista Anne Marie Hurst não quis perder tempo e reativou seu maior êxito na música; desta vez sem Gary Marx. Este é o segundo single do vindouro álbum, The Silent Shout, agendado para sair pelo carimbo Voltage Records. No campo dos vídeos, a banda nunca foi tão longe como agora.


17. Skeletal Family – “My Own Redemption” (Direção: Danny Hardaker)

A árvore genealógica  da veterana banda gótica Skeletal Family é marcada por muitas mudanças, especialmente no que dizem respeito às vocalistas. Mas, ao que parece, este line-up veio para durar. Anneka Latta não somente se encaixou perfeitamente ao grupo como estreou em grande estilo com um single que dividiu opiniões, mas trouxe um clipe que deu nova vida à falange liderada pelo guitarrista Stan Greenwood.


16. Jon Spencer & The HITmakers  – Death Ray (Direção: B.A. Miale)

Jon Spencer dispensa apresentações. Com seus criadores de hits então, nem se fala. Há bons meses Spencer Gets It Lit  se encontra disponível nas plataformas digitais, e também no formato físico. E “Death Ray” é um dos melhores momentos. Não foi à toa que ganhou um dos videoclipes mais legais de sua carreira.


15. Shining – KMA (Kiss My Ass) (Direção: Shining)

Aparentemente, videoclipes com imagens extraídas de apresentações ao vivo não possuem nada demais. Não fosse esta miscelânea composta pelos momentos mais eletrizantes do Shining nos palcos. Cada vez mais distante do jazz dos primeiros discos, o ato norueguês liderado pelo multi-instrumentista para lá de carismático Jørgen Munkeby, abriu o ano com um poderoso single pop/punk/synth/industrial, e mandando todos os haters se f******.


14. Paulo Metello – Hey Dad (Direção: Paulo Metello)

Sob forte apelo jangle pop orbitado por nomes como The Church e Echo & The Bunnymen, Paulo Metello homenageia seu pai ao mesmo tempo que exercita a superação da perda. O entreleçamento no vídeo se dá com nostalgia e melancolia, tendo como a estrada como personagem principal. Uma ideia simples, mas que a exemplo de muitos casos, deu certo. E como.


13. Wingtips – Cross The Line (Direção: Masalah Baskin)

“Vincent e eu representamos duas respostas emocionais opostas; um sendo o da vulnerabilidade e o outro do estoicismo”, diz Hannah Avalon sobre o tema da canção. Embora musicalmente, a resposta seja um mix de Yazoo, Blancmange e Human League; parte das influências do duo de Carbonable, Illinois, Estados Unidos. A atmosfera levemente “Stranger Things” também contribuiu com o ótimo resultado.


12. Cubüs feat. Louder  – Trust (The Cure) (Direção: Armando Louder)

Impossível sair incólume após adentrar na atmosfera desta bela versão para um dos clássicos do The Cure. Cortesia do fechamento sem margens de erro dos artistas e produtores cariocas, Diego de Oliveira, e Armando Louder, ambos apaixonados pela obra de Robert Smith e cia. Homenagem feita em comemoração aos 30 anos do álbum Wish.


11. Ollie Wride – “A Matter Of Time” (Direção: Chris Le Fevre)

Na interminável onda dos anos 80 capitaneada pelo synthwave, houveram artistas que, acredite, conseguiram fazer a diferença. Um deles é o vocalista britânico Ollie Wride, também conhecido por seu trabalho com o ato synthpop FM-84. Traduzindo, apenas imagine um crooner saído das cenas de desfecho dos antigos filmes exibidos na “Sessão da Tarde”, da Rede Globo, e com uma pegada videoclíptica nada menos que condizente. Brilhante.


10. Baby Cool – The Sea (Direção: Imogen O’Doyle)

Quando a locação é gratuita, o céu é o limite para o senso criativo. E a cantora e compositora australiana Grace Cuell (Nice Biscuit) tem isso de mão cheia. As filmagens aconteceram em uma das praias de Mullumbimby, e a trama lisérgica é estrelada pela “Terráquea”, interpretada por Cuell. Sua companheira de banda Billie Star faz “A Pérola da Sabedoria”, enquanto Rosey Star fica no papel da amêijoa.

9. Black Midi – Welcome to Hell (Direção: Gustaf Holtenäs)

Nome dos mais queridos da nova dos sons tortos – jazz, prog, synth, psicodélico e o que mais der na cabeça deles – o pessoal do Black Midi também sabe fazer videoclipe. Aliás, é onde que eles viajam de verdade. Culpa do animador sueco Gustaf Holtenäs, que inclusive já assinou clipes do Iron Maiden (“Stratego”) e do Grimes (“Visuals”).


8. Amen Jr – Passou da Hora (Direção: João Moura)

O casamento música + vídeo nunca foi tão feliz na obra em construção da banda Amen Jr. Guiados musicalmente pelo prisma da década de 80, os caras soltaram um clipe com certo teor de nostalgia, mesmo trazendo um tema atemporal: a busca por respostas.


7. Skold – Don’t Pray For Me (Direção: Vicente Cordero)

O seminal artista industrial sueco Tim Skold (Marilyn Manson, Frontline Assembly, ex-Shotgun Messiah) deu um baile na morte, ou melhor, no mercado da música, em um videoclipe para lá de intrigante. A assinatura assertiva é do cineasta conhecido por seu trabalho com o Cradle of Filth, bem como o documentário Room 37: The Mysterious Death of Johnny Thunders.

6. Ploho – Не будем прощаться (Direção: Сергей Павлов)

Além de fazer um pós-punk brilhante, os russos do Ploho também são conhecidos por capricharem nos seus vídeos, que mais parecem curtas-metragens. Mas o ponto mais importante da banda siberiana é conseguir se comunicar com maestria com quem sequer esboça falar seu idioma nativo. Fora que se trata de um dos picos do fantástico full length When The Soul Sleeps.


5. Wry – Contramão (Direção: Rafael Augusto e Thiago Roma)

Falar de Wry é relacioná-los à dissidência de bandas de sua geração no cenário nacional do indie rock – ainda que a carreira dos sorocabanos tenha se estendido a outros mares. E a fração do seu novíssimo disco de estúdio, Aurora, mostra bem isso e sem muito drama.

Na verdade, muito pelo contrário: Mario Bross, Lu MarcelloWilliam LeonottiItalo Ribeiro marcaram um super jogo com o pessoal do Basquetinho Rasgado e mandaram esta linda cesta de três pontos; com direito a “riffs e batidas solares” com fortes ventos pós-punk. E claro: em uma produção videoclíptica movida a takes tão dinâmicos quanto uma partida das boas.



4. High Vis – Talk For Hours (Direção: Jonah West)

A medalha de bronze não poderia ser mais inglesa. Esta promissora banda editou, via carimbo Dais Records, Blending, um dos registros mais aguardados do ano, e este foi seu primeiro aperitivo. O refratário sônico é basicamente composto por camadas pós-punk, britpop e punk rock, que aqui serve de trilha para o vocalista Graham Sayle e suas andanças pelas ruas e pubs de Londres.


3. Gloria de Oliveira & Dean Hurley – Something to Behold (Direção: Alexander O. Smith)

Um dos momentos mais sombrios de Oceans of Time, registro da artista teuto-brasileira Gloria de Oliveira com o produtor americano (e um dos braços do cineasta David Lynch) Dean Hurley, ecoa nesta faixa. E nada mais justo que ganhar uma produção videoclíptica à altura.

O vídeo é estrelado por Toby Farrington, que interpreta um pesquisador em uma região remota do mundo. A cantora surge como um espectro, ou “algo para contemplar”, traduzindo fielmente. Se trata de uma metáfora para a distância, particularmente de sua própria família.


2. Rammstein – Adieu (Direção: Specter Berlin)

Verdade seja dita: daria para fazer uma seleta somente com videoclipes dos industrialistas germânicos. Em termos de roteiro, produção e afins, o Rammstein se equaliza tranquilamente com o que Marylin Manson fez entre meados dos anos 90 e começo de 2000. “Adieu” configura a última faixa de seu novo álbum Zeit, assim como faz referências ao fim da vida. Por outro lado, está longe de ser a derrocada criativa do grupo berlinense.


1. Björk – Sorrowful Soil (Direção: Viðar Logi)

Estaria a islandesa para as artes visuais como o Brasil para o futebol? Não, porque nossa seleção perdeu mais uma copa. Enquanto a taça de Björk Guðmundsdóttir era sua satisfação pelo deslumbrante resultado ao filmar a poucos metros do vulcão em erupção Fagradalsfjall. A faixa integra seu novo álbum Fossora, e é uma das composições feitas para sua mãe.  

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