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Tinariwen – Amadjar

Visitante desconhecido no desertos sônico de Ibrahim Ag Alhabib não passa de uma evolução natural de sua própria obra

Por Luiz Athayde

Daquele grupo formado no norte do Mali no desfecho da década de 70 que lançou fitinhas cassete no começo dos anos 1990 pouco se modificou musicalmente. Mas a grande pergunta é: precisa?

O tuaregues do Tinariwen – povo essencialmente formado por pastores seminômades, comerciantes e agricultores da região do Saara – já contabilizam com Amadjar, seu oitavo lançamento “cheio” no âmbito discográfico, e se há algo a ser observado aqui é a sutil inclinação de volta a sonoridade mais étnica em relação ao seu antecessor Elwan, de 2017.

Amadjar significa “o visitante desconhecido”, e de misterioso só mesmo os milésimos de segundo antes de apertar o play do disco. 

Mesmo envolto, como há muitos discos, em influências que passam pelo blues, o rock e o pop, a veia tradicional étnica continua sendo a força motriz, e obviamente sua marca; já que foi com álbuns como Amassakoul e as sessões da Radio Tisdas que lhe rendeu fãs famosos como Bono e Thom Yorke.

Mas as aparições creditadas no disquinho ultrapassam o luxo, com nomes do quilate de Warren Ellis (conhecido por seus trabalhos no Grinderman e os Bad Seeds de Nick Cave), a lenda do Country Willie Nelson e a mente  por trás de inúmeros projetos Death/Doom Metal Stephen Malley, mas essencialmente conhecido por ser a força motriz do Sunn O))); além da cantora Noura Mint Seymali e os músicos Cass McCombs e Rodolphe Burger.

Tantas aparições não interferiram na cativante homogeneidade do álbum, que possui pérolas como “Taqkal Tarha” (uma das que ganharam videoclipe), “Kel Tinawen” e “Itous Ohar”.

Amadjar pode não ser candidato a clássico, mas é um disco que irá manter o nome Tinariwen por longos anos nas areias da música, por ser um grupo extremamente honesto em sua proposta musical de não chegar na mesma superfície das celebridades que os admiram. E no mais, é muito nômade para pouco camelo. Belo registro.

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