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Box – Cherry Blossoms at Night

Quando um artista consegue quebrar o conceito de “diferente” no seu álbum

Por Luiz Athayde

Quando tiver o prazer de conferir, com certa antecipação, o que Andrew Stromstad, guitarrista da banda hardcore punk, Poison Idea, tinha na cartola, eu realmente sabia que viria algo diferente. Não exatamente o quê. Mas destoante do que vem saindo na classe de 2022.

Ainda assim, acabei me surpreendendo. Mesmo tendo previamente divulgado seu primeiro single, “Succumb” –  um verdadeiro jorro odioso de death/thrash metal –, acompanhado de um videoclipe no mínimo assustador, aqui no Class Of Sounds. Acontece que o que se segue não pode ser encaixado em nenhuma prateleira, e por um motivo bem simples: heterogeneidade. Me refiro ao seu projeto Box (ou Icybox) e o novíssimo álbum Cherry Blossoms at Night.

O registro foi totalmente escrito, arranjado, gravado, e claro, tocado por Stromstad, embora tenha contado com com algumas mãos na produção (Kurtis Toivonen, Spencer Hodge, que participou tocando guitarra na faixa-título,), masterização (James Plotkin) e até mesmo em letra (Kevilina Burbank, em “Soft Is The Motion”), e se revela mais como um diagrama do que rege seu vasto gosto musical, sem soar como um punhado de músicas confusas em um disquinho compacto. Na verdade, de alguma forma elas se encaixam, ainda que soem diferentes entre si.

Ao abrir de forma extrema, o disco segue com “Pulse”. O título da música e o ritmo capitaneado pela bateria já denota a pegada. Qualquer conexão com a cena de Palm Desert, Califórnia, é válida, mas sua atmosfera fria atesta que os ventos são mesmo de Portland, Oregon; stoner sem sol quente, com desfecho bem escandinavo.

O dedilhado inicial de “Soft is The Motion” dá um ar de mistério, já a uma altura que o ouvinte não sabe qual linha o álbum irá seguir, e mais uma vez surpreende com um clima denso e ainda mais místico. Na faixa-título, os sintetizadores é que tomam as rédeas em uma espécie de ABBA do futuro. E devo dizer: é um dos pontos mais altos do disco.


Quando você acha que não dá para empolgar ainda mais, eis que surge “Lifetaker”, e o melhor: sem regras, como se Box estivesse em uma festa AOR comandada pelo Laibach. E a coisa só melhora. Logo na sequência temos “Spread”; dark synth fantástico, sob medida caso figurasse um um lugar na trilha sonora da série Stranger Things. Merece.

Em “Devayne’s Lament” a ordem é o rock progressivo, com uma roupagem épica e majoritariamente melódica. Ao encerrar, “Liberate” mostra o lado realmente cantor de Andrew, em uma aura space rock com dotes synthwave. Balada cinematográfica, com a cara do sci-fi.

No fim das contas, esse é o tipo de álbum que algumas mídias terão dificuldade em classificá-lo, enquanto outras irão notar, logo de cara, o quão instigante Cherry Blossoms at Night é; pela sua ousadia, e a energia que músicas emana, mesmo nas baladas. Que bela “caixa” de surpresas temos aqui.

Ouça o álbum na íntegra no Bandcamp, ou abaixo, pelo Spotify.

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