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The Secret Society – Rites of Fire

As nuvens andam carregadas nesta parte da geografia gótica

Por Luiz Athayde

A esfera gótica parece estar vivendo tempos de peso. Apesar da distorção não ser uma novidade, como já ouvimos (e continuamos ouvindo) em Love, do The Cult e Vision Thing, do The Sisters of Mercy, novos atos estão lançando mão desta alternativa; vide Grooving in Green na Inglaterra, com seu mais recente álbum A Second Chance…  e o mais novo produto brasileiro de exportação The Secret Society.

Ou não tão novo assim, se olharmos para o histórico do grupo curitibano. O vocalista e baixista Guto Diaz detém status de veterano na cena metálica ao ser um dos membros fundadores do Epidemic, antiga banda de Thrash Metal da capital paranaense, lá do saudoso ano de 1986. Já o guitarrista Fabiano Cavassin veio do Abaixo de Deus, onde mesclava estilos que iam do punk ao funk.

Por último e não menos importante temos Orlando Custódio, que entre 2000 e 2008 comandou as baquetas do Primal, grupo do qual também contava com Diaz e Cavassin, que explorava suas influências industriais e do pós-punk, denotando o que podemos chamar de era embrionária da “sociedade secreta” criada por eles em 2017.

The Secret Society (foto: promocional)

Pavimentando o caminho até chegarem ao álbum de estreia, 3 singles; sendo um deles, “The Architecture of Melancholy” ganhando seu primeiro videoclipe, e posteriormente “Rubicon”, enquanto não saía o disco cheio.

Rites of Fire teve produção assinada pela própria banda juntamente com o arranjador Luciano Nunes, a mixagem e a masterização contou com o ótimo trabalho de Adriano Daga, da banda Malta; e surgindo das sombras via carimbo Red Records.

O resultado imediato foi uma natural, mas grande evolução em relação ao restante do currículo do grupo. A faixa de abertura “Mephistofaustian Transluciferation” é um dos  melhores exemplos, não apenas pela caprichada produção, mas pela abertura do leque de influências, que de tantas, seria injusto mencioná-las, até para não causar aquele capcioso efeito de “expectativa encaixotada”, onde o ouvinte espera escutar exatamente o que lhe foi descrito.

“Beyond the Gates” segue a mesma linha, sem deixar de emanar a energia da primeira faixa. “Memento Mori” mostra a inevitável raiz metálica do grupo, com enfoque nos graves pedais duplos de Custódio.

Das quase sempre citadas “faixas de mil e uma possibilidades” nas resenhas do Class of Sounds, diria que “Chariots of Fire” é uma dessas, já que, embora mais cadenciada, daria para visualizar, ou melhor, ouvir um belo remix dela. É também uma das músicas onde Guto Diaz canta com mais gana.

A faixa título do álbum já se envereda por caminhos mais retos e um andamento vocal que poderia figurar qualquer registro dos alemães do Love Like Blood, mesmo com suas notas mais altas. “Sleeping Over Debris” aparece como um suposto descanso para o ouvinte, até crescer subitamente em seu desfecho, deixando aquela sensação de que poderia haver mais, de tão envolvente.

Como se quisessem deixar  o melhor para o fim, engatam uma trinca impossível de não empolgar. “The Final Cut” traz o que há de melhor do rock gótico reto, melódico e pegajoso, abrindo caminho para a ainda mais enérgica “Mercy”, fazendo o trio se render ao groove que outrora fora experimentado por falanges como Vasaria e The Cult nos anos 1990.

O encerramento do registro foi com, a não à toa, música de trabalho “Rubicon”, sintetizando seus quase 45 minutos de potência gótica de passado (ou seria eterno presente?) metálico.

Mesmo com todos os custos físicos, psicológicos e, sobretudo, financeiros, o Brasil possui uma galeria de nomes relevantes, que vão dos veteranos Das Projekt aos essenciais Elegia (além do seminal Plastique Noir), e no ritmo que está – giro nacional/internacional com os mentores The Sisters of Mercy e promoção massiva de seu trabalho – The Secret Society corre sério risco de entrar para esta seleta, bastando apenas passar no teste do tempo com o excelente Rites of Fire.

Ouça Rites of Fire:

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