ACTORS – Acts of Worship

ACTORS – Acts of Worship

Brigada canadense volta definitivamente mais dançante e melódica

Por Luiz Athayde

Se há uma formação que está a caminho de se estabelecer no atual cenário pós-punk mundial, essa é o Actors. Isso se já não são. Gerada em 2012 na cidade de Vancouver, Canadá, pelo capitão Jason Corbett – que além de vocalista e guitarrista, é um produtor de mão cheia –, a banda chegou cravando seu nome na classe de 2021, via Artoffact Records, com o álbum Acts of Worship.

Actors (Foto: Divulgação)

Apesar do curto espaço de tempo entre o primeiro disco cheio It Will Come to You, de 2018, e esse, a sensação de distância é bem maior; ainda é essencialmente pós-punk, mas com novas abordagens e novos tons de cinza, graças as influências eletrônicas, sobretudo e naturalmente oitentistas.

O registro também marca a estreia de Kendall Wooding no comando das quatro cordas, já há tempos no lugar de Jahmeel Russel. Das dez faixas, pelo menos quatro ganharam vida como singles e videoclipes ao longo dos meses. Além de servir como cartão de visitas de caráter mais diversificado; um breve recado ao público de que eles estão em constante mudança.

Ainda assim, “Love U More”, “Like Suicide”, “Strangers” e “Only Lonely” revelam um ponto em comum: as sombras de Bryan Ferry e o seu Roxy Music. E o mais legal é se trata de algo que por vezes pode estar na cara, mas também se mostra de forma sutil, que é quando o ouvinte nota que, na verdade, os canadenses estão imprimindo uma marca própria.

Continuando com as músicas de trabalho, “Cold Eyes” foi sob medida para pistas de dança das mais escuras. Já “Death From Above” apresenta o que de melhor havia na new wave de mote cinemático; conexões com cenas de ação dos filmes exibidos na Sessão da Tarde também são notáveis.

Uma faixa que merecia produção videoclíptica é “End of The World”. Ela é guiada pela interminável batida em linha reta de Adam Fink, mas é onde os sintetizadores de Shannon Hemmett, o baixo de Wooding e os vocais de Corbett se alinham em uma hipnose melódica, rendendo um clima fantástico a quem ouve. Se bem que antes temos “Killing Time (Is Over)”, que também se enquadra facilmente nesse quesito. Um ponto alto? Não temos, ainda bem.


A melhor interpretação para Acts of Worship  é a fuga de qualquer experimentalismo avant-garde para venerar a música pop feita sob a ótica do dark, minimal, wave. É como se tivesse sido feito para gerar 10 hits prontos ou uma trilha sonora de alguma série retrô de terror. Não à toa, os vídeos promocionais são envoltos a um enredo a caráter, sem dever nada a um American Horror Story: 1984 da vida.

Em suma, este é o álbum que você pode ouvir sem medo de oscilações que tornam a audição maçante. Por sabermos que, nesses tempos líquidos, não custa nada jogar um disco fora, é bom se deparar com algo que é bem o contrário disso.

Ouça o Acts of Worship no Spotify.

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