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Tool – Fear Inoculum

Ainda progressivo e um pouco mais esquisito, para nossa alegria

Por Luiz Athayde

De uns tempos para cá, poucos álbuns foram cercados de tanta expectativa. Claro que o Chinese Democracy do Guns N’ Roses não conta por se tratar mais de uma novela do que a geração de um disco em si, enquanto que o Chromatics parece seguir pelo mesmo caminho desde 2014 com o seu Dear Tommy. Com o Tool a coisa foi mais simples: chegaram “do nada”, anunciaram álbum, turnê, soltaram a primeira música e pronto. Ou quase.

Tool

Como é impossível agradar gregos e troianos, o mais novo álbum da banda em 13 anos, Fear Inoculum, acabou agradando em peso mesmo foram os atenienses; aqueles que conheciam a banda de nome, mas nunca deram muita atenção, e a nova geração, em grande parte, aberta a novas sonoridades. Ou, novamente, quase.

Ainda assim, essa suposta divisão foi logo quebrada após a Billboard revelar que a banda havia vendido 270 mil cópias na semana de lançamento, sendo dessas, 248 mil em formato físico e digital (sem mencionar as plataformas de streaming), batendo inclusive a artista do momento, Taylor Swift, alcançando o topo.

Mas o disco vale isso tudo mesmo? Ou será efeito do tempo, causado pela mística de ser uma banda diferente das demais de sua geração? Analisando friamente, o fator “tempo” não pode ser ignorado do bom senso, mas querer um remake de seu clássico de 1996 Ænima é de uma injustiça sem precedentes. De lá para cá são 26 anos, outras cabeças e sinais nítidos de envelhecimento. E bem.

Fear Inoculum traz um frescor torto ao mainstream. Esbanjando tempos, contratempos e experimentos que poderiam facilmente lembrar outros “tempos”, a banda capitaneada pelo vocalista Maynard James Keenan voltou com tudo em 7 faixas (11 no formato digital) que mesclam sua veia progressiva a nomes do pós-punk bizarro inglês como P.I.L. e The Fall, ou até mesmo de Krautrock, sem sequer esboçar ser uma cópia desses, mas que já servem para fugir da atual onda assolada pelo indie de orientação mais reta ou mesmo as falanges psicodélicas com toques de bad trip setentista.

Faixas como “Pneuma”, “Invicible” e “7empest” não devem nada aos atos já estabelecidos do Neo-prog, da mesma forma que te puxa para uma audição mais apurada, inclusive pelas passagens marcadas pela cartilha do gênero, com muito peso e sobriedade – calma, é no sentido de saber o que está fazendo; nada novo se tratando de Tool.

As nunces tribais estão ali, especialmente em faixas que mais parecem vinhetas, assim como a árabe na música homônima, e primeira a ser liberada pela banda para saciar a enorme sede dos fãs.

Associar o Tool como um ponto fora da curva no cenário musical pode parecer exagero quando vem de um fã mais hardcore, mas ao ver que do outro lado encontramos Galahad, Riverside e Porcupine Tree – nomes já seminais dentro de sua esfera – percebemos que os californianos geraram Fear Inoculum por um bem maior, e não agradar apenas um lado; se é que de fato a intenção deles foi essa.

Ouça Fear Inoculum:

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