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The Cult – Under The Midnight Sun

Ingleses voltam sem medo de flertar com sonoridades mais sombrias

Por Luiz Athayde

É, mas caso você seja um (a) gótico (a), não se anime tanto. O mote aqui continua sendo o hard rock; sonoridade abraçada desde os anos 80. Nem por isso, o 11º álbum de estúdio dos veteranos do The Cult é meia boca.

The Cult ao vivo em Washington, EUA, 2022. (Foto: Mick Peek)

Aliás, esse termo é proibido aqui. E o motivo não poderia ser mais simples: Under The Midnight Sun se mostra tão forte quanto lançamentos antigos e, com folga, mais empolgante que o excelente Choice of Weapon, editado em 2012.

Na medida que o guitarrista Billy Duffy fazia atualizações sobre disco em suas redes sociais, surgia certa especulação em torno do direcionamento musical. Pudera: a gravações ocorreram no Rockfield Studios, mesmo lugar onde registraram Dreamtime (1984). Por outro lado, a produção foi assinada por Tom Dalgety, responsável por nomes como Ghost, Clutch e os discos mais recentes do Killing Joke.

Outro ponto importante é que parte desse processo aconteceu durante a pandemia, ou, no seu “auge”, quando (quase) todos estávamos sob o quarentena. E para quem estava acostumado a tomar os palcos, com certeza essas composições iriam se refletir na sonoridade.

Foi o que aconteceu. A capacidade de Ian Astbury e Billy Duffy de gerarem músicas tão envolventes se mantém intacta, e neste caso a regularidade se fez presente. Como dito acima, a máxima é o hard rock, mas, ao longo dos seus 35 minutos – mais um play no formato usual dos anos 80: menos de 1 hora de duração –, os flertes com sonoridades mais sombrias estão ali, e além do que meras nuances.

Cortesia também dos arranjos de música clássica, deixando o conjunto da obra com um viés mais melancólico. Se me obrigam a citar referências, diria que Mark Lanegan nos seus piores momentos (psicologicamente dizendo), é o nome mais próximo.

O que dizer da ultra melódica “Mirror”, que já te pega logo e diz: ‘espera, isso aqui está interessante’. Ou a brilhante “Vendetta X”, ao se aproximar sem timidez com o gothic rock. Embora “Give Me Mercy” como primeiro single tenha sido uma tacada de mestre.


Não menos candidata a ponto alto, “Outer Heaven” pinta de modo inconsciente como seria se o pessoal do The Waterboys vestisse camiseta preta. E ainda falando nisso, Ian e Billy podem discordar à vontade, mas em “Impermanence” eles nunca foram tão góticos. O timbre de guitarra ‘fim dos anos 80’ seguido pelo marcante andamento de baixo e bateria diz tudo.

Mas, no fim das contas, não foi nada à toa. Under The Midnight Sun reflete uma passagem recente do vocalista pela Finlândia, o inspirando a fazer “um disco sobre o Sol da meia-noite”. Impossível soar tropical depois dessa. E, felizmente, tal experiência rendeu um dos trabalhos mais inspirados da carreira da banda. Que disco, meus amigos.

Ouça o álbum na íntegra a seguir:

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