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Proscriptor McGovern’s Apsû – S/T

Reencarnação do outrora Absu dá continuação ao legado trazendo outras possibilidades

Por Luiz Athayde

Quando o Absu anunciou o fim das atividades em janeiro de 2020, foi, de certa forma, um choque. Ativo desde 1989 e passando por mudanças inclusive de nomes, a banda liderada pelo excepcional baterista, vocalista e compositor texano Russ R. Givens, ou Proscriptor McGovern, lançou uma série de álbuns, alguns hoje clássicos cult na esfera mais extrema do heavy metal, como Barathrum V.I.T.R.I.O.L. (1993), The Sun of Tiphareth (1995) e o (se ligue nas aspas para o inglês-português) “thrashíssimo” The Third Storm of Cythraúl (1997); todos contando com a solidez dos guitarristas Shaftiel e Equitant.

Proscriptor McGovern’s Apsû (Foto: Divulgação)

O hiato foi curto, mas suficiente para aceitar que uma das formações mais fundamentais do black metal norte-americano não voltaria; ao menos com essa configuração. Mas, como uma grata surpresa, eis que surge uma nova encarnação, batizada Proscriptor McGovern’s Apsû. Nela, temos o baixista canadense Ezezu (Paul M. Williamson), oriundo do último line-up; o guitarrista Vaggreaz (Daniel Gonzalez), também integrante do lendário Possessed e do Gruesome; e o tecladista grego Vorskaath (Dimitrios Dorian), conhecido por integrar os grupos Agatus e Zemial.

Novos integrantes pedem disco novo. E foi a vez de estrear com o autointitulado, chancelado pela Agonia Records. Ainda que Proscriptor seja a mente mestre – incluindo a produção juntamente com J.T. Longoria, que já assinou trabalhos do Absu, King Diamond e Solitude Aeternus –, e a sonoridade clássica de sua banda anterior se mantenha intacta, os sinais gladiadores entre a continuação do legado e aquele olhar natural para o futuro são perceptíveis.

Por outro lado, a temática, outro forte dentro do contexto da banda, se mostra tão profunda como sempre. “Este álbum foi escrito para aqueles que são curiosos e incansáveis ​​em sua busca de conhecimento arcano”, disse Proscriptor em nota publicada anteriormente. “Eu (com grande esforço e detrimento de tempo e espaço) coletei conhecimento considerado, em relação às minhas teorias do ‘metal ocultista mitológico’: do Magick Thelêmico e Fórmula de Zos Vel Thanatos para Ontologia Fractal e (obviamente) Mitologia do [antigo] Oriente Próximo.”

Fechando o conceito, a capa traz uma paisagem tempestuosa, assinada pelo artista polonês Zbigniew Bielak, (Ghost, Darkthrone, Portal, Mgla), que não à toa, traduz a sonoridade dos quase 50 minutos de uma fúria quase primitiva, intercalada por momentos incrivelmente intricados e melodias que passam por várias camadas, indo desde o heavy metal tradicional, a momentos severamente progressivos e até psicodélicos – ouça “Mirroracles” por exemplo, ou “Tantrums Of Azag-Kkû”.


E tudo discorrido com um dinamismo tão natural, que ao perceber, voce já está totalmente inserido em sua atmosfera lírica e sônica. Os vocais de Givens nunca estiveram tão afiados, e o modo como toca bateria aqui dispensa apresentações. Quanto a competência da trupe convocada para um trabalho dessa magnitude, ela se mostra por si só.

Em outras palavras, Proscriptor McGovern’s Apsû é o debut necessário se tratando de material de pegada old school, mas, principalmente, por trazer de volta um artista singular (ou seria alquimista?) na mágica de mesclar inúmeros estilos, metálicos ou não, em um único registro, e, ainda assim, soar intrépido, coeso e acima de tudo, coerente com a própria história. Ouça sem medo… e na íntegra, abaixo, pelo Spotify.

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