Os 10 Melhores “Você Precisa Ouvir” de 2020

Aqui vai uma seleta do que mereceu ser endossado

Por Luiz Athayde

Fazer lista de Top 50, 20 e afins não é nada fácil, agora imagine 10. E de discos que já foram indicados. Pois é, a fim de dar um reforço – caso você tenha perdido algum desses ao longo de 2020 – selecionamos 10 discos da nossa querida sessão “Você Precisa Ouvir” que merecem ser endossados aqui. Confira.

10 – The Agnes Circle – Some Vague Desire (2016)

Se Some Vague Desire não é o melhor disco de 2016, você há de concordar que “Porcelain” configura a faixa mais empolgante daquele ano.

Se nem assim eu estiver certo, tudo bem, é tudo da lei: o mais importante é que o duo formado por Florian Voytek (vocais e guitarras) e Rachael Redfern (baixo e programações afins) foi responsável por trazer ventos mais frios do Reino Unido com um álbum que envolve desde o mais reto pós-punk às simuladas ondas etéreas dos anos 80.

Prato de peão para fãs de New Order, Joy Division, Moti Special e, quem sabe? Drab Majesty.

Mais The Agnes Circle: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-the-agnes-circle-some-vague-desire-2016/

Spotify: https://open.spotify.com/album/39zYWspOKeqvdNCyOtSVX2?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


9 – Epäjärjestys – S/T (1997)

Sempre direi: a Finlândia não seria o paraíso dos bons sons se não fosse pelo hardcore punk. Foi este estilo mais rebelde do rock que mostrou botou o país no mapa sônico nos anos 80, com sua enxurrada de bandas tão toscas quanto maravilhosas, vide Rattus, Kaaos, Riistetyt e Terveet Kädet; só para citar alguns – dos mais conhecidos.

Mesmo na década seguinte, ao contar com seus expoentes metálicos, a terra dos mil lagos continuou como um grande celeiro crust, ao trazer, dentre muitos, este grupo composto por gente que integrou e posteriormente iria integrar nomes ainda mais pesados, como Rotten Sound, … And Oceans e Deathbound.

E outra, nada melhor que dar um recado em apenas 17 minutos. Só vai.

Mais Epäjärjestys: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-epajarjestys-s-t-1997/

Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=DTzXSypEU7w&feature=emb_title&ab_channel=duleklc2


8 – Jan Johansson – Jazz på Svenska (1964)

Multi-instrumentista, mas essencialmente pianista, pai de dois metaleiros gêmeos ultra conhecidos e responsável pelo álbum mais vendido de toda a história do jazz da Suécia. Este é o saudoso Jan Johansson.

Como praticamente todo músico escandinavo, Johansson vinha de uma tradição clássica, por outro lado, aquela região da Europa fervilhou jazz nos anos 60. E é daí (entre caminhos que o levaram a conhecer Stan Getz, por exemplo) que vem seu maior clássico, aqui ainda desconhecido.

Jazz på Svenska (jazz em sueco) junta o melhor das duas esferas musicais para mostrar que a música é algo universal. Quem disse que Odin não pode tomar um café no Blue Note de Nova York e curtir um (como dizia Tom Jobim) “jáz”?

Mais Jan Johansson: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-jan-johansson-jazz-pa-svenska-1964/

Spotify: https://open.spotify.com/playlist/1bhQftjHVKdmOjRJRV1EQ1?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


7 – Rozz Williams & Gitane Demone – Dream Home Heartache (1995)

Aposto que Bryan Ferry nunca iria imaginar que seria uma das maiores influências do público dark. E menos ainda de Rozz Williams, para muitos, o único vocalista possível que passou pela coluna máxima do deathrock, Christian Death.

Apesar de conhecido por toda uma vida por músicas ainda mais rudimentares que o punk, aqui o (também) saudoso Williams focou somente na parte obscura, em um cabaré imaginário com Gitane Demone (ex-Christian Death, Demonix).

Mais que isso, o duo pegou a música mais sombria do álbum For Your Pleasure (1973), do Roxy Music, e meio que usou para intitular o projeto, e claro; fazer a própria versão da icônica faixa.

Ferry nunca soou tão fúnebre, e Williams/Demone nunca estiveram tão elegantes.

Mais Rozz Williams & Gitane Demone: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-rozz-williams-gitane-demone-dream-home-heartache-1995/

Spotify: https://open.spotify.com/album/3gJiXAaXhHgInF3spF1d3m?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


6 – Suicide Booth ‎- Terror From The Sky (2008)

Se fosse para resumir esta dupla alemã, seria: Futurama Kraftwerk Jean Michel Jarre. Sim, o desenho e dois dos maiores nomes da música eletrônica.

Na verdade, suicídio mesmo é só se você não ouvir este petardo synthpop capitaneado por Stefan Fenzel e Spif Anderson, que no decorrer das faixas convocaram uma série de vocalistas para compor a saga regada a monstros, navinhas e raios laser, com direito a toda a aura sci-fi dos anos 80. Empolgante do início ao fim.

Mais Suicide Booth: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-suicide-booth-%e2%80%8e-terror-from-the-sky-2008/

Spotify: https://open.spotify.com/album/6Cm3q44mYOPhyKe9F1Ui18?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


5 – Neon Night Riders – The Neon Album (2010)

Animalesco ato alagoano calcado no synthpop/rock alternativo. Projeto de vida breve, infelizmente, já que em sua passagem meteórica pelo universo sônico, o Neon Night Riders registrou um dos álbuns mais sensacionais editados em terra brasilis no ano de 2010.

The Neon Album é urbano, gélido e até mesmo um tanto nostálgico; resultado do mix de influências, que passam por New Order, Blancmage, My Bloody Valentine e afins.

Pequeno clássico perdido que você precisa ouvir já.

Mais Neon Night Riders: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-neon-night-riders-the-neon-album-2010/

Spotify: https://open.spotify.com/album/7853xPFuqWtPZvnIHGxzuo?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


4 – Die Laughing – Incarnations (A Retrospective) (1998)

Após a aparição do The Sisters of Mercy o modelo de rock gótico passou a ser basicamente e o que saiu de First and Last and Always (1985) e Floodland (1987), seus dois primeiros álbuns. E nos anos 90 pintou uma nova geração que fez bonito, mesmo, ao demonstrar sem medo tais influências.

Die Laughing é um desses nomes, que mesmo no obscurantismo mostrou sua cara com a vocalista Rachel Speight integrou a formação, gravando 2 álbuns e um punhado de EPs.

Se você é daqueles que não consideram o The Mission de Wayne Hussey uma banda genuinamente gótica, tire ele do Gods Own Medicine (álbum de 1986), acrescente as vozes de Speight, mais umas doses de Ghost Dance e Skeletal Family. Pronto! Impossível dar errado.

Como o título diz, se trata de uma retrospectiva, mas pela homogeneidade das composições, bem como o curto espaço de tempo entre os lançamentos, este é mais um caso de coletânea com cara de disco cheio. Dizer: ‘muito bom’ ainda é pouco.

Mais Die Laughing: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-die-laughing-incarnations-a-retrospective-1998/

Spotify: https://open.spotify.com/album/6sz0XFwECZEhuuNUtpXkml?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


3 – The Triffids – Born Sandy Devotional (1986)

Um dos maiores bancos de areia sônicos da Austrália, ou a plataforma jangle pop do mestre David McComb (17/02/1962 – 02/02/1999) e sua maior obra Born Sandy Devotional.

Elo perdido entre The Byrds e The Waterboys (mas sem esquecer Bob Dylan), este é o disco Aussie perfeito para quem deseja vagar pela década de 60 com clima “meio de tarde” dos anos 80. “Wide Open Road” é o single que rouba a cena, com seu naipe Rádio Antena 1 de ser.

Ah, e esse disco também serve muito bem acompanhado de The Stems The Go-Betweens na sequência.

Mais The Triffids: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-the-triffids-born-sandy-devotional-1986/

Spotify: https://open.spotify.com/album/3rRwJuilJbZGV5VGfVXoCN?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


2 – Beth Gibbons & Rustin Man – Out of Season (2002)

Geralmente quando uma banda entra em período de entressafra, não dá outra: ou seus integrantes somem do mapa ou mergulham em projetos paralelos. E foi o que a voz do Portishead fez em 2002.

Beth Gibbons juntou forças com o baixista e compositor Paul Webb, também conhecido como Rustin Man, e claro, por seu passado no Talk Talk, para cair de cabeça no folk contemporâneo e suas variantes permitidas – modern classical, soul.

Completamente fora de qualquer estação, Out of Season é o disco mais bucólico da artista britânica, mas também um dos mais completos de sua discografia, já que ela explora novos caminhos e texturas que porventura sua banda principal não lhe permitia. Discaço.

Mais Beth Gibbons & Rustin Man: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-beth-gibbons-rustin-man-out-of-season-2002/

Spotify: https://open.spotify.com/album/18UqbxpmS7vkIoF18ILRoZ?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1


1 – Neneh Cherry & The Thing – The Cherry Thing (2012)

O medalhão de ouro vai para uma artista sueca cidadã do mundo. Aqui no Brasil Neneh Cherry pelo sucesso “7 Seconds”, single colaborativo com o cantor e compositor senegalês Youssou N’Dour, mas obviamente suas credenciais ultrapassam as fronteiras do tempo e espaço.

O ano era 2012 e há muito tempo ela não soltava um disco cheio. Foi quando pintou a ideia de homenagear seu pai, o monstro do trompete Don Cherry, mas não fazendo covers dele, mas versões de bandas que de alguma forma sofreram influência do trompetista e que Neneh mais gostava.

E para meter o pé direito, ela convocou o The Thing, trio sueco/norueguês com cerne na música de Don. São 8 faixas mescladas com músicas próprias e versões jazz/punk de músicas dos Stooges, Suicide e MF Doom, Ornette Coleman, Martina Topley-Bird e claro, do pai.

Pedrada define. Especialmente por conter estilhaços suficientes para atingir todas as cabeças possíveis – fechadas ou não.

Mais Neneh Cherry & The Thing – The Cherry Thing: https://classofsounds.com/voce-precisa-ouvir-neneh-cherry-the-thing-the-cherry-thing-2012/

Spotify: https://open.spotify.com/album/4iB7kxGmUmyAQh1XYDemuo?utm_source=embed_v2&go=1&play=1&nd=1

Deixe um comentário