Hot Chip – A Bath Full of Ecstasy

Mais sério e melodioso, Hot Chip retorna com o melhor álbum de sua carreira

Por Luiz Athayde

Quatro anos separam o excelente What’s Make Sense do sétimo álbum de estúdio do Hot Chip, mas a sensação parece ser maior. E melhor, diga-se. Muitos artistas pop da atualidade usam inúmeros estúdios e uma quantidade exagerada de produtores muitas vezes para gravar apenas um single. Embora, mais enxuta, a rapaziada inglesa não fez muito diferente: gravou em seis lugares diferentes e teve produção, além da própria, assinada por mais dois nomes, incluindo o saudoso e lendário ícone da house music francesa Philippe Zdar.

Formado em Londres no fim dos anos 1990 por Alexis Taylor e Joe Goddard com intuito de juntar suas influências de R&B e variantes eletrônicas, ainda são acompanhados pelos multi-instrumentistas Al Doyle, Owen Clarke e Felix Martin.

Hot Chip

No seu mais novo álbum, os ingleses mergulharam pesado nas águas da house e do synthpop radiofônico. Ao ouvir a emocionante faixa de abertura “Melody of Love”, percebe-se a distância dos tons mais “coloridos” dos primeiros discos. Mais elaborada e igualmente dançante, “Spell” serve de prelúdio para o Hot Chip tradicional em “Bath Full of Ecstasy” e “Echo”; essa última no melhor estilo AOR do começo dos anos 1980 – curiosamente, alguns rotulam essas nuances como “Chillwave”.

A música eletrônica feita entre o fim da década de 80 e começo dos anos 1990 sempre foi, de alguma maneira, um mote dentro grupo, mas na charmosa “Hungry Child” eles chegaram ao seu limite máximo; sem dever nada a falanges estabelecidas como New Order e Pet Shop Boys, o carro-chefe do álbum consegue alucinar o ouvinte, independente de sua geografia, a ponto do mesmo se encontrar em um loop eterno dentro do icônico clube The Haçienda em seu auge. Sem perder a pegada, emendam com “Positive”, que de tão boa sequer precisa de um remix.

Na melodiosa “Why Does My Mind” a banda se permitiu um descanso para a mais ‘dream’ do que ‘pop’ “Clear Blue Skies” e encerra com um sutil flerte setentista com “No God”, deixando aquele gosto de “quero mais”.

Descrever Hot Chip nem sempre é chover no molhado. Esse disco é a prova do quão imprevisível pode ser sua discografia, assim como é interessante ouvir bandas como essa, que evitam andar em linha reta, mesmo que em algum momento voltem para o ponto inicial. Que me perdoem os clássicos, mas A Bath Full of Ecstasy ganhou tranquilamente o posto de melhor disco dos londrinos.

Ouça o álbum aqui:

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