Astor: Wlad Zechner (U Just) estreia projeto synthwave

Astor: Wlad Zechner (U Just) estreia projeto synthwave

Confira o autointitulado álbum abaixo

Por Luiz Athayde

O baterista e produtor Wlad Zechner  voltou a dar as caras, mas não com a banda pós-punk U Just, do qual lançou, em 2020, o álbum You Just. Mas com um projeto de viés 100% eletrônico, retro-futurista; Astor.

Comumente chamado de synthwave (retro synthwave, retrowave, futuresynth, etc), esse estilo definitivamente tomou de assalto o universo pop, dado o seu caráter nostálgico; filmes, jogos e o que mais remeter à década de 80. Ainda que tenhamos nomes (e pioneiros) gringos como Mitch Muder, Jordan F e Miami Nights 1984, o Brasil não poderia ficar de fora, e por essas bandas, ou seja, aqui  no Class Of Sounds, é a hora e a vez do autointitulado e até inesperado álbum de estreia deste ato de chassis paranaense.

Segundo o próprio batera, a princípio, seria um registro menor. “Quando estava na 4ª faixa, já achei que tinha um EP e estava no lucro”, comentou em nota. “Afinal, não sou músico! Sou um baterista, “batedor de bumbo”, “uma forma inferior de vida”, como diria o cara do Sisters of Mercy. Acabei psicografando mais 11, fora à primeira.”

Astor  chega configurado na classe de 2021 com 12 músicas ou “pedaços” que formam uma verdadeira trilha sci-fi nos melhor naipe oitentista. Embora todas as composições sejam assinadas por Zechner, ele contou com Astro, Edson Ramso e Márcio Fernandes para uma força na produção.

O disco traz um gosto especial para quem viveu àquela época ou, ao menos, seus anos finais. Por essa mesma referência, acaba sendo natural fazer a ponte mental em músicas como “Hunting” (single escolhido para a ignição do disco), “Waiting” e “Suspect”, à séries e longas, incluindo Miami Vice (1984), Dune (1984), Blade Runner (1982) e outros; cortesia de influências subconscientes de Hans Zimmer e Jean-Michel Jarre, mas sem a menor pretensão de ser ambos.

Os clássicos consoles 2D também ganharam homenagem em “Funny Game”, que soa como se o Kraftwerk fosse a banda responsável por fazer a trilha dos primeiros jogos da Nintendo. Ou “Lonely”, como uma típica cena antes dos créditos finais de um filme, algo bem usual entre o pessoal das novas ‘waves’.

A graça deste subgênero da esfera eletrônica é a carência de necessidade de soar inovador, se atendo à diversão através da nostalgia. Obviamente que isso não impede ninguém de tentar soar com uma cara própria, ainda que se relacione com tudo o que já foi feito e mostrado, e é aí que está o mérito do Astor  em sua ignição discográfica. De resto, é apertar o cintos e aproveitar a viagem.

Ouça completo abaixo.

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