Let’s Talk – I Can’t Sleep But I Can Dream

Let’s Talk – I Can’t Sleep But I Can Dream

Produtor Matt Burks contabiliza três álbuns em menos de dois anos

Por Luiz Athayde

Ali pelos idos de 2010, 2011 e 2012 era, por incrível que pareça, quase inimaginável que o synthwave (conhecido inicialmente como “retro synthpop”) iria tomar proporções tão estratosféricas.

É como se houvesse pelo menos um duo, grupo ou mesmo produtor a cada esquina do planeta; bem distante quando os dominantes eram Mitch Murder, Miami Nights 1984 e Jordan F.

Como toda “onda”, a mesmice é iminente, e em muitos casos a questão não passa mesmo de identificação ou não por parte de quem ouve, embora desde 2018, novos nomes buscam adicionar novas nuances, influências e toques até mesmo dos dias atuais.

Um deles é tranquilamente o Let’s Talk. Nome simples, direto e sem muitas firulas, no melhor estilo dos filmes “Sessão da Tarde”, outrora exibidos na Rede Globo.

Matt Burks (foto: Divulgação)

O homem por trás do projeto é Matt Burks. Oriundo de Savannah, estado norte-americano da Georgia, o produtor mal surgiu e lançou dois álbuns só em 2019; além dos singles digitais, “Love Me” (2019) e “How Well do You Know?”, de 2018.

Para a classe de 2020, Burks traz I Can’t Sleep But I Can Dream, com natural produção, mixagem e masterização por assinatura própria e lançado pelo carimbo Retrowave Touch Records.

Pesado como nunca, o novo registro também conta com participações tão desconhecidas quanto especiais, mas que fizeram toda a diferença ao compor a outra camada desta esfera musical, causando efeitos extremamente melodiosos ao logo do álbum.

O que dizer da faixa de abertura, “Star Shaker”, com seu clima “Radio Antena 1” mesclada à síncope até usual, mas com um resultado pra lá de empolgante? Não há, só ouvindo mesmo.

Outro grande momento e candidato a melhor faixa da discografia do Let’s Talk é “You Found Me”, contando com a voz de Alley Parton, do duo dark pop Demitri & Alley; pegada radiofônica para todas as épocas.

A conexão atual vem com  “Visions of You”, ao lançar mão do saturadíssimo Trap. Na verdade, Burks conseguiu se sair muito bem aqui, mas justamente por destoar do restante do disco, é uma faixa dispensável.

O que nem de longe podemos dizer da fantástica “My Dreams”. Prato cheio para quem ama os clichês da música pop criada entre os anos 80 e 90.

Em mais uma tentativa – e que deu super certo aqui – de inovar, “Amigos” surge como uma espécie de sci-fi latino, sob chancela do vocalista “cyber caliente” Machi, em uma das primeiras músicas synthwave em espanhol já feitas.

Mais que um álbum, I Can’t Sleep But I Can Dream é o embrião de um inevitável processo evolutivo que já está tomando de assalto a realidade. E não se trata do registro mais inovador, e tão pouco mais genérico da década, e sim um caminho que muitos estão seguindo, inclusive à sua maneira.

Especialmente agora que, com advento da tecnologia, pode-se “criar nostalgia” sem mesmo ter vivido uma determinada época, para muitos artistas da nova geração, o céu será o limite. E se Matt “Let’s Talk” Burks acertar como o fez nesse álbum, Mitch Murder que se cuide – o páreo será duro.

Ouça I Can’t Sleep But I Can Dream no Spotify.

O álbum também se encontra disponível em CD no Bandcamp do Retrowave Touch Records. Acesse aqui.

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