Vomito Negro – Entitled

Vomito Negro – Entitled

A velha escola do EBM de músicas novas em folha no seu usual estilo clássico

Por Luiz Athayde

Do efusivo cenário da música eletrônica de mote dark e experimental do começo dos anos 80, os belgas do Vomito Negro  certamente são um dos mais obscuros, mas nem por isso, menos importantes.

Vomito Negro (Foto: Divulgação)

Embora tenham soltado seu primeiro e clássico álbum Shock  em 1989, a falange liderada pelo vocalista Gin DeVo já ajudava a desenvolver o chamado Electronic Body Music, lançando singles e EPs ao longo de sua caminhada iniciada na pequena cidade de Beveren, em 1983.

Angariando ainda mais fãs com registros do quilate do fantástico Human  (1990) e The New Drug  (1991), o grupo se viu em um longo hiato discográfico após editarem Wake Up, de 1992, e outro menor, mas significativo depois do disco Fireball, lançado em 2002.

Somente em 2008 Gin juntou forças novamente com Guy Van Mieghem para cair na estrada e trabalhar no que viria a ser Skull & Bones; basicamente um registro de releituras, mas trazendo alguns sons inéditos.

De lá para cá, a produção e a critividade simplesmente não cessou, como pode ser conferido no mais novo álbum, editado pelo carimbo polonês Mecanica Records, intitulado Entitled. Levando em consideração a linha do tempo deles, não se trata de algo inovador, mas, por outro lado, a manutenção do que eles ajudaram a criar, e, diga-se de passagem, sempre deu certo.

Com tantos discos EBM/Industrial de sonoridade saturada – muitas vezes para endossar um viés pós-apocalítico –, este é, com muita facilidade, um alento a ouvidos incansáveis pela pegada old school, e melhor: por quem sempre entendeu do assunto.

“Ongoing Patterns” abre as portas com um clima bem assustador, sem precisar apelar para ruídos e experimentalismos afins. Assim como a hipnótica “Something Must Break”, com sua batida sincopada em ritmo de perigo iminente.


Outra faixa que se destaca é “Blood Fever”. Embora regida por melodias mais frias, sua atmosfera nos remete não intencionalmente ao alemão :Wumpscut:, que possui larga influência dos belgas em sua discografia.

Só que, meus amigos, a cereja do bolo ficou mesmo para o final: “23 Days” é uma pedrada das grossas, de atingir o ouvinte tão fundo quanto o poderio dos graves da faixa. Pesada, envolvente e clamando por uma pista de dança esfumaçada.

Se você é daqueles que por culpa dos algoritmos deixou esse álbum passar em branco nos seus ouvidos, a hora é agora. Até porque, se for para ficar febril, que seja do modo sônico.

Ouça Entitled no Spotify.

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