Você Precisa Ouvir: Diabolique – The Green Goddess (2001)

Você Precisa Ouvir: Diabolique – The Green Goddess (2001)

Quase clássico, certamente perdido, que merecia um lugar ao sol, ou algo próximo disso

Por Luiz Athayde

Há aproximadamente 20 anos (com uma margem para pouco menos), este se encontrava na casa de um bom amigo em Vitória – que inclusive anos depois iria Belo Horizonte, e lá, passaria um tempo considerável trabalhando na lendária Cogumelo Discos; salve camarada Marcel Marçal! – e eis que, sabendo que eu era fã de The Sisters of Mercy e afins, ele me apresenta uma banda gótica formada por gente do metal extremo. Sueco. Diabolique.

Diabolique (Foto: Divulgação)

O cara mostrou todos os CDs da pequena discografia daquela formação de Gotemburgo; um com a capa mais bonita que a outra. Obviamente me apaixonei logo de cara, só por causa das artes. E ao apertar o play, não deu outra: passei mal, no melhor dos sentidos.

Queria todos, mas pense: não era algo como o principal trabalho dos músicos, mas um projeto com cara de banda, ou banda com cara de projeto. Algo assim. Ainda que no subterrâneo, eles são, até hoje, mais conhecidos por tocarem em grupos como Seance, Grotesque e Dimension Zero; tudo death metal. Então, para encontrar um disquinho, haja pá para escavar, mas, principalmente, bolso.

Com gênese em 1995 sob as cinzas do Liers in Wait, os guitarristas Kristian Wåhlin e Johan Osterberg (este último, parente de Iggy Pop? Vai saber…) se juntaram para compor algumas músicas fora da esfera pesada. Em função do ‘cacoete metálico’, ao menos as duas tentativas iniciais de fazer algo mais leve não deram muito certo. Com alcunha extraída do longa Thriller/Noir francês As Diabólicas (Les Diaboliques), de1955, completam a brigada o baterista Hans Nilsson e o baixista Bino Carlsson, e editam dois trabalhos mais para gothic/doom metal do que outra coisa: o EP The Diabolique (1996), pelo carimbo Listenable Records, e o primeiro disco cheio e estreia na Black Sun Records, Wedding the Grotesque (1997); facilmente indicado para paladares mais acostumados ao que acontecia na época.

Com o próximo lançamento , a coisa só melhora. Em 1999 sai The Black Flower (novamente via Black Sun), o registro que pode-se dizer ter a sonoridade definitiva, a cara da banda. Sua produção abafada e os riffs gélidos dão todo um clima que, por incrível que pareça, muita gente não fez.

No ano seguinte, sai mais um trabalho, e sob chancela de outra gravadora, a Necropolis Records. Aliás, nem preciso dizer que quase escolhi para fazer vocês ouvirem: Butterflies é nada menos que fantástico, não apenas por trazer o clima do álbum anterior, mas com uma gravação gradualmente superior.

O milênio mal havia começado e o último registro ainda estava fresco, mas, ainda assim, em 2001 foi a vez de The Green Goddess – via carimbo Orion Music Entertainment. Não se trata do melhor trabalho, mas do álbum mais equilibrado dos suecos. É pop, eletrônico, gótico e ainda mantém as temperaturas baixas. A voz de Kristian também está mais solta, respeitando a nova pegada das composições.


É, talvez seja o melhor mesmo… ainda bem que isso é relativo, especialmente nos dias de hoje. De qualquer forma, só de ter músicas como as pulsantes “On Through the Night” e “Remedy”, e a balada mezzo Smiths, mezzo New Order, “Winter Blue”, já vale a audição. Embora eu duvide muito que você fique parado ao ouvir “Substancer”; melódica e bem dançante, cortesia da abordagem disco music que volta e meia aparece no decorrer das faixas.

Especulando brevemente, a troca de selos em tão curtos espaços de tempo e a avalanche de discos finlandeses do chamado gothic metal saindo a todo momento entre o fim dos anos 90 e começo da nova década, não ajudou muito para que houvesse um trabalho de divulgação condizente com a qualidade do material apresentado. E é mais um motivo do qual você precisa ouvir The Green Goddess; peça única naquela safra e merecedora de mais destaque, mesmo com o HIM esmagando todos sem piedado com Deep Shadows And Brilliant Highlights. Mas aí é outro papo.

Green Info:

+ Kristian Wåhlin é também um artista de mão cheia. Sob o pseudônimo “Necrolord”, ele já assinou a arte de inúmeras capas de discos, especialmente de bandas de black, death e doom metal, como Dissection, Tiamat, Therion, Atheist, Lake of Tears, Dismember, At The Gates etc…

+ A voz feminina em “White Nights” é da cantora, compositora e arranjadora sueca Inger Ohlén. Na sua lista de participações, estão essencialmente grupos de pop e power metal; Cardigans, Reingold e  Midnight Sun são algumas das várias bandas no currículo.

+ À exceção do Butterflies e claro, do The Green Goddess, outros álbuns do Diabolique estã disponíveis no Spotify. Acesse aqui.

Ouça The Green Goddess no Youtube.

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