Tiago Satya – LUMINIS

Tiago Satya – LUMINIS

Músico e compositor brasiliense ilumina a classe de 2021 com seu primeiro álbum solo

Por Luiz Athayde

É sabido por todos que há uns bons anos o mercado sônico brasileiro é protagonizado pelo sertanejo universitário; cortesia da indústria do agronegócio. Nada distante está o funk carioca, agora lançando mão de massivas flertadas com a música pop.

Já no subterrâneo, se encontram os estilos que lhe vier à cabeça, embora o rock, com todas as suas variantes, seja a máquina principal de resistência, mesmo com uma considerável parcela de pessoas desacreditando. E na zona intermediária, como uma luz para quem acha que também não há espaço para o jazz e o R&B, eis que temos o cantor brasiliense Tiago Satya, e sua enfim, estreia discográfica LUMINIS.

Tiago Satya (Foto: Divulgação)

Sua voz é associada à banda ETNO, mas é aqui que ele explora terrenos mais amplos, que também passam pela MPB, disco music e até mesmo synthpop.

E por esse mesmo motivo, Satya precisava ter consigo músicos que, no mínimo, estivessem na mesma sintonia. É o caso do time escalado, composto por Paulo Thirso (teclado), Vitor Fonseca (guitarra), Gabriel Moraes (baixo) e Caco Gonçalves (bateria). A parceria rendeu não apenas composições, como a produção do disco. Inclusive, ele mesmo comenta em nota: “É um disco pop, dançante, com efeitos e arranjos marcantes que dão movimento às músicas”.

Não à toa, a faixa-título abre o registro; uma homenagem a uma de suas irmãs com um pano de fundo regado a pop e neol soul. “Jasmim” apresenta uma mistura ainda maior, com nuances brasileiras que se gladiam entre o velho e o novo, em uma roupagem mais complexa, mas não menos acessível aos ouvidos.

Na sequência, uma faixa de inspiração japonesa. “Tsuru” é a “metáfora sobre a vida como uma folha de papel”, como no origami, que se desdobra em mais R&B e passagens sutis de teclado que se aproximam (pasmem) dos momentos mais dramáticos de um Genesis ainda com Peter Gabriel.

“Hiato” mostra o groove na linha frente, com uma pegada mais melódica, mas nada feliz. Composta após a corrida presidencial de 2018, ela soa como se feita neste exato momento. Palavra-chave: retrocesso. Já “Azul” é daquelas músicas que te faz perguntar o por que ainda não ter videoclipe. Envolvente do início ao fim e single pronto, seu apelo melódico remete à produções indie com viés oitentista. Mas a canção é sobretudo mais uma homenagem, agora para seu filho.

“Sonhador” já passou por esses lados, ou seja, no Class Of Sounds, em novembro do ano passado, e como anteriormente dito, cai como uma luva em ouvidos de fãs de nomes como Daft Punk e Jamiroquai. Em outras palavras: sob medida para as pistas de dança.

Ainda sobre o saudoso duo francês (Daft Punk), em “Déjà Vu” Satya lança uma luz nos embalos de sábado à noite – em uma realidade pós-pandemia. Destaque absoluto para o baixo, que simplesmente rouba a cena.


No desfecho, mais ‘baixaria’. Se trata de “Neon”, uma música lançada em 2019, e talvez em função disso, tenha um caráter mais destoante. Por outro lado, é a faixa que explicita sua face mais balanço, bem como a veia progressiva que aparece quando a gente menos espera.

Se após tudo isso, você ainda estiver sob as amarras do agro ou do pop “descendo a raba até o chão”, é sinal que precisa colocar LUMINIS no repeat para iluminar os arredores e fazer, por fim, perceber que existe muita música de qualidade sendo feita. E em muitos casos, depende da gente arregaçar as mangas e caçar.

Mas aqui é de mão beijada: basta apertar o play abaixo, no Spotify:

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