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The Smiths: Morrissey pede para Johnny Marr parar de mencioná-lo em entrevistas; guitarrista responde

Ex-vocalista publicou uma carta aberta direcionada à Marr

Por Luiz Athayde

Não é de hoje que a maioria dos assuntos relacionados aos ex-integrantes do The Smiths envolve farpas ou polêmicas. E neste caso, não foi diferente.

Recentemente o  guitarrista Johnny Marr estampou a capa da Uncut Magazine, onde concedeu uma entrevista a fim de  promover seu novo EP Fever Dream Pts 1-4 e, obviamente, falar um pouco sobre sua lendária ex-banda. Em determinado momento, ele diz: “Sou muito próximo de todos com quem trabalhei – exceto o óbvio”, acrescentando que esses mesmos músicos e artistas foram “ótimos” e que poderia chamá-los a qualquer instante, como um “companheiro do exército”; e que o mesmo não poderia ser dito sobre Morrissey, porque eles “são muito diferentes”.

Em outra entrevista, mas para o canal de Kyle Mullin no Youtube, o músico britânico, ao revelar sua canção favorita dos Smiths, “Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me”, elogia o cantor:

“Então eu simplesmente explodi isso musicalmente com uma performance magnífica da banda e uma ótima composição de Morrissey. Eu amo as letras, amo o jeito dele cantar, amo o baixo e amo a bateria, então, sabe, eu tenho orgulho disso, tenho orgulho da banda e daquele nosso orgulho da composição; e acho que outra coisa [importante] é que [The Smiths] não soa como nenhum outro grupo. E é uma banda de guitarra.”

Mas ontem (25/01), Morrissey postou uma carta aberta no Morrissey Central, em resposta ao guitarrista, pedindo para parar de mencionar seu nome em entrevistas. Leia na íntegra abaixo:

“CARTA ABERTA A JOHNNY MARR.

25 de janeiro de 2022

Este não é um discurso retórico ou um discurso bombástico histérico. É um pedido educado e calmamente medido: Você poderia, por favor, parar de mencionar meu nome em suas entrevistas?

Você poderia, por favor, discutir sua própria carreira, suas conquistas solo imparáveis ​​e sua própria música?

Se puder, por favor, me deixe fora disso?

O fato é: você não me conhece. Você não sabe nada da minha vida, minhas intenções, meus pensamentos, meus sentimentos. No entanto, você fala como se fosse meu psiquiatra pessoal com acesso consistente e ininterrupto aos meus instintos. Não nos conhecemos há 35 anos – o que é muitas vidas atrás. Quando nos conhecemos, você e eu não tivemos sucesso. Nós dois ajudamos um ao outro a ser o que somos hoje. Você não pode simplesmente deixar assim? Você deve persistentemente, ano após ano, década após década, me culpar por tudo… desde o tsunami de 2007 nas Ilhas Salomão até a baba no queixo de sua avó?

Você me achou inspirador o suficiente para fazer música comigo por 6 anos. Se eu fosse, como você afirma, um monstro tão desagradável, onde exatamente isso o deixou? Sequestrado? Mudo? Acorrentado? Abduzido por extraterrestres vesgos? Foi VOCÊ quem tocou guitarra em ‘Golden Lights’ – não eu.

 Sim, todos nós sabemos que a imprensa britânica publicará qualquer coisa que você disser sobre mim, desde que seja cruel e selvagem. Mas você fez tudo isso. Ir em frente. É como se você não pudesse descruzar as próprias pernas sem me mencionar. Nosso período juntos foi há muitas vidas, e muito sangue correu debaixo da ponte desde então. Chega um momento em que você deve assumir a responsabilidade por suas próprias ações e sua própria carreira, com a qual desejo que você desfrute de boa saúde. Pare de usar meu nome como isca de clique. Eu nunca ataquei seu trabalho solo ou sua vida pessoal, e aplaudi abertamente sua genialidade durante os dias de ‘Louder than bombs’ e ‘Strangeways, here we’, já você, sempre esteve pronto para comentar algo [sobre mim] sempre que a imprensa exige uma inclinação feia sobre algo que eu disse pela metade durante o último período glacial, quando o rio Colorado começou a esculpir o Grand Canyon. Por favor pare. É 2022, não 1982.

Morrissey. Janeiro de 2022.”

Nesta manhã (26/01) Marr resolveu responder o ex-companheiro de banda via Twitter, com sua usual ironia, e ainda parafraseando o slogan usado na campanha do ex-presidente norte-americano Donald Trump, “Make America Great Again” (Torne a América Grande Novamente), com a hashtag “Make Indie Great Again” (Torne o Indie Grande Novamente):

“Querido Moz. Uma ‘carta aberta’ não existe desde 1953, é tudo ‘mídia social’ agora. Até Donald J Trump tinha isso. Além disso, esse negócio de notícias falsas… meio 2021, né?”


No âmbito discográfico, ambos vão bem, obrigado. As 4 partes do novo EP de Marr sai oficialmente em 25 de fevereiro, e o último álbum de Morrissey, I Am Not a Dog on a Chain, saiu em 2020.

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