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The Birthday Massacre – Fascination

Banda synthpop/industrial canadense segue com o mote: “em time que está ganhando, não se mexe”

Por Luiz Athayde

A formação canadense The Birthday Massacre adentrou em seu vigésimo ano de existência com mais um registro na prateleira sônica.

The Birthday Massacre (Foto: Divulgação)

Chancelado pela Metropolis Records, Fascination configura o 11º álbum de estúdio da banda de Ontario, e traz, inclusive, o mesmo vigor estético e sonoro que rendeu reconhecimento no subterrâneo… Darkwave? Industrial? Synthpop? Sim, tudo isso e, dada algumas nuances, mais um pouco.

Os guitarristas Michael Rainbow e M. Falcore, mais o baixista Brett ‘Bat’ Carruthers, se encarregaram da produção, mas tiveram a mão do ex-Skinny Puppy e também produtor, Dave ‘Rave’ Ogilvie na mixagem. O resultado não poderia sair mais encorpado, mas essa afirmação não vale tanto para quem acompanha a banda, tendo em vista que a necessidade de esforço para saber quem está tocando é nula.

Esse tipo de coisa costuma ser uma faca de dois gumes. Se por um lado, uma banda pode ser acusada de fazer sempre a mesma coisa, por outro – e é aqui que o Class Of Sounds entra – se trata de manter uma assinatura adquirida graças a registros fantásticos como Violet (2004) e Walking With Strangers (2007). Sabe aquela história de que “time que está ganhando, não se mexe”? Então…

Logo de cara temos a faixa-título, com aquela atmosfera de abertura, mas já te cativando com os vocais típicos e mais que necessários de Chibi. Na sequência, “Dreams of You” faz o papel da “faixa 2”, ou seja, de abordagem mais gothic rock/synthpop com um refrão que simplesmente não sai da sua cabeça.  

“Cold Lights”, um dos singles, é synthwave até a medula. E vale lembrar que eles já faziam isso antes de qualquer esboço de moda. Indo mais ou menos pelo mesmo caminho, e com ainda mais peso, “Stars and Satellites” merecia figurar a trilha sonora de qualquer temporada da série Stranger Things. Fica a dica.

Quase como de costume, quando o disco está na metade da execução, ou eles usam e abusam das distorções ou apelam para baladas etéreas. Nesse caso, nem um, nem outro: “Once Again” flerta com (pasme) nomes do quilate de Lush, Slowdive e, não muito distante, Cocteau Twins; no que diz respeito às melodias de caráter angelical. Dificilmente sai errado.


A faixa seguinte é “Like Fear, Like Love” e já aviso que pode causar um susto em fãs do The Mission por conta de seu riff inicial, mas o que se segue é o momento mais rock do registro, e não menos gótico. Mais uma com um refrão pegajoso e provável aposta nas apresentações ao vivo. “Once Again” vem na cola justamente para não perder o pique com sua pegada electro rock sob baixas temperaturas.

Voltando ao clima cinemático, “Precious Hearts” faz emergir o lado industrial do grupo, ainda que o prisma (de sempre) guiado seja o da música pop. E mal deu para respirar a o ouvinte já se encontra no fim com “The End of All Stories”. Qualquer conexão com a banda Berlin dos anos 80 pode não ser uma mera coincidência, já que a influência por aquela década é tão óbvia e gritante na sonoridade deles quanto 2+2 = 4.

O fascínio aqui, “somente”a capacidade da banda manter sua consistência após tantos anos e ainda conseguir fazer com que sua fórmula não se desgaste, mantendo seus fiéis ouvintes antenados a qualquer lançamento e angariando novos fãs. Se depender de Fascination, a missão para 2022 já está cumprida.

Ouça o álbum na íntegra pelo Spotify.

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