Rajhäda: banda formada pela velha guarda do HC capixaba estreia EP “O Novo Cidadão Do Bem”

Rajhäda: banda formada pela velha guarda do HC capixaba estreia EP “O Novo Cidadão Do Bem”

Registro saiu de maneira independente e cheia de raiva

Por Luiz Athayde

E não é que reviver meteoricamente a mítica banda Pönvéi – trazendo uma versão moda de viola de “Lágrimas da Terra” –, rendeu um projeto totalmente novo? Sim; o vocalista e mentor Fabricio Biasutti (Nativix, Gritos de Ódio) juntou forças com o guitarrista Adriano Elisei (Gritos, Gritos de Ódio), o baixista Alex Vieira (Morto Pela Escola, Merda) e o baterista Luciano Loyola, ou seja, a velha guarda do hardcore capixaba, para compor uma nova brigada: Rajhäda.

E nada melhor que carimbar uma estreia com trabalho fresco e cheio de gás. Se trata do EP O Novo Cidadão do Bem, um petado de 5 músicas cruas, ríspidas, crônicas e sobretudo afrontadoras; cortesia do Zeitgeist tupiniquim, uma baita fonte inspiradora de letras contestadoras.  

O registro teve suas gravações feitas à distância; Adriano reside na Irlanda, Alex em Portugal, enquanto que Fabricio e Luciano continuam no Brasil. A produção é assinada por Felipe Gama via Gama Soundz Studio. A arte da capa ficou naturalmente a cargo do baixista, que além de colecionar anos à frente da Revista Prego, trabalha como tatuador.

Logo de cara temos a faixa-título, trazendo a participação de outro “véio” da cena do Espírito Santo; Sandro Juliatti, vocalista dos grupos Mukeka di Rato e Volapuque. A mesma ganhou videoclipe produzido pela Garupa Filmes, e o resultado, de tão bom, não poderia causar mais vergonha alheia, dada as imagens que… só assistindo mesmo.


“Lealdade” é inspirado naquele típico som hardcore das formações nova-iorquinas, não somente pela pegada mais incisiva, mas pela temática – amizade. Por outro lado, ela também exalta os tempos áureos dos shows do Gritos de Ódio na Barra do Jucu, em Vila Velha. Tão rápida quanto a anterior, “Levante Seus Punhos” vai pelo mesmo caminho, mas inflando os pulmões para dizer que o povo junto, é supremo, e não “supremo é o povo”.

Sem a menor chance de descanso, “Dissolver o Infinito” apela para o existencialismo através de um modesto blast beat. E ainda falando em união, “Juntos Temos Mais Poder” soa como se o Heaven Shall Burn tivesse passado uma temporada na Noruega com os caras do Djevel, mas no fundo está mais para uma composição feita em um dia gélido em Dublin, e rabiscos após uma chuvarada na parte mais isolada da Praia dos Recifes.

De qualquer forma e, o mais importante, é que O Novo Cidadão do Bem  está em todas as esquinas, nos bares, comércios, templos religiosos e gabinetes políticos. E o Rajhäda, independente da área geográfica de seus integrantes, surge como mais uma ótima opção para ativar seus sentidos, ao entreter, fazer pensar (acredite, é possível, mesmo com menos de 2 minutos) e ainda dar um tapa na consciência para tomar alguma atitude que não seja ficar somente sentado atrás do computador.

Pequeno play dos bons, que este e outros ouvidos esperam que haja continuidade.

Ouça o EP completo no Youtube.

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