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Night Sins – Violet Age

O rock gótico inglês pela ótica de gente da (cena da) Filadélfia, EUA

Por Luiz Athayde

Não basta trazer a escola gótica de Leeds, Inglaterra para sua sonoridade; tem que reverenciar tudo o que há de mais sombrio e dançante na sempre inspirada fonte de excelentes sons que foi a década de 80. Pois é, me refiro a Violet Age, o mais novo petardo dos norte-americanos do Night Sins.

Formado na classe de 2010 pelo cantor, compositor e “homem dos mil projetos”,  Kyle Kimball (como o shoegazer Nothing, Death of Lovers, Salvation e outros), a coisa foi tomando vida própria no subterrâneo através de demos, singles e seus dois álbuns de estúdio: Dancing Chrome, de 2017, e Portrait in Silver, editado em 2019.

Drew Ferry e Kyle Kimball (Foto: Divulgação)

Agora, três anos depois, eles voltam após soltarem alguns aperitivos,  como a fantástica “Kill Like I Do”, previamente compartilhada pelo Class Of Sounds. E se existia algum traço de expectativa, essa se esvaiu pelas sombras. A cada música, uma sensação diferente; a cada audição, novos devaneios nostálgicos – para quase todos os gostos.

Configurado nos moldes antigos, ou seja, 8 faixas; também uma forma de dar o recardo de forma sucinta, a fim de pegar o ouvinte de imediato, e fazê-lo ouvir quantas vezes possível. Isso se deve ao apelo pop no discorrer das composições, que se embaralham entre um potente rock gótico como The Sisters of Mercy e Rosetta Stone, e propostas mais, digamos, para pistas de dança, como Clan of Xymox, The Cure e Depeche Mode.


“Fantasy 21” abre as portas do porão com Kyle voando no túnel do tempo de Floodland (disco clássico dos Sisters) com uma abordagem vocal remetendo ao saudoso Peter Steele, do Type O Negative. Não bastasse isso, a faixa-título mostra como seria o New Order se fosse comandando por rédeas mais obscuras. Empolgante do início ao fim. “Turn to Gold” vem na sequência com uma leve pegada italo disco, mas sem deixar, claro, de soar dark.

Já o groove de “Corium” convida o ouvinte para os momentos de desfecho dos longas policiais dos anos 80. Nesta faixa, eles simplesmente conseguiram soar fielmente como naquele período, mas sem se enquadrar na cartilha do synthwave. Não que isso fosse ruim, muito pelo contrário. A próxima a tomar o play é “Sea Sick”, a com traços mais experimentais e soltos do registro, ainda que soe retilínea. Qualquer conexão com Cabaret Voltaire pode não ser uma mera coincidência.

Quem gosta de uma boa pegada minimal wave vai se deliciar com “Moonlit Tsar”. A princípio ela soa mais do mesmo, mas na medida que avança, ela toma forma e quando você percebe, está totalmente envolvido. Como fechamento, a escolhida foi “Sleepwalker”; uma espécie de pisada no freio em sua primeira parte, tomada por um clima industrial e melódico na sua conclusão.

No fim das contas, o que resta é aquele gosto de quero mais. Cortesia de um álbum assertivo na hora de mesclar darkwave e synthpop de modo que não haja necessidade de passar no tal teste do tempo, afinal, não há nenhum tiro tão certeiro como fazer música dançante com feixes de distorção. Álbum fantástico. Recomendadíssimo.

Ouça Violet Age no Spotify.

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