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Mass Experience – Pleasure and Purge

Novo álbum gerado sob antigas experiências sônicas que felizmente nunca saem de moda

Por Luiz Athayde

Atualmente, a Austrália vem se mostrando mais conhecida pela cena psicodélica de Melbourne. Mas não é de lá que saiu o mais novo petardo eletrônico da classe de 2022, e sim de Sydney: Pleasure and Purge, disco cheio do Mass Experience.

Katie M. Little e o seu Mass Experience (Foto: Divulgação)

Se trata do projeto capitaneado por Katie M. Little e Timothy Poulton – este último promovendo seu apocalipse eletrônico no álbum Fragments –, dois veteranos dos sons dançantes e amplamente credenciados nas mais lendárias raves locais dos anos 90. Na verdade, esta alcunha foi necessária para unir a paixão de ambos por esse universo tão vasto quanto (ainda) inexplorado.

O registro é composto por 9 faixas que possuem vida própria, mas conseguem dialogar entre si com a mesma facilidade que um breakbeat se mescla ao chillout, provendo uma nova experiência a cada audição. E não estamos nos referindo à invenção da roda. Muito pelo contrário: mas quando uma música é feita por quem sabe onde está pisando.


Desde “Mother”, com sua batida cadenciada (e curiosamente, uma espécia de faixa pouco comum para single) a “The Sun”, o álbum navega por mares extremamente melódicos, envolventes e por vezes, como o estilo costuma pedir, perfeito para pistas de dança, como “Born Trippin”; mais viajante impossível.

Bom, na verdade é possível: pegue “Take Me Away”, com todas as doses de lisergia, ou mesmo a faixa-título, que inconscientemente nos remete a trabalhos feitos pelo grande Aki-Nawaz (mentor da lendária banda pós-punk, The Southern Death Cult) no Fun-Da-Mental.

Mas essa trip não foi, digamos, recreativa. Tudo envolve perdas e a tentativa de se reconectar internamente. “Eu basicamente tive um colapso nervoso depois que meus pais morreram e tive que descobrir como juntar os pedaços de mim mesmo. Perdi toda a minha confiança, inspiração e fé na minha intuição, que sempre foi minha bússola na vida”, diz a protagonista Katie. ‘Pleasure and Purge’ é minha jornada pelo que chamo de “horrível”, rebelando-se contra a vergonha, redescobrindo a beleza e minha natureza lúdica.”

Uma das faixas que traduzem a descrição da artista Aussie e também se configura como um dos grandes momentos do play é “Hope”, dado o seu apelo melódico sob uma manta de vocais etéreos, beirando ao sublime. Ou, em termos sonoros, chillout no seu melhor.

Muitas vezes, aquele papo de que as melhores músicas são feitas em momentos ruins da vida é real e quase sempre se faz presente, mas o sucessor de Sitting With Demons, de 2021 supera qualquer expectativa, especialmente se você, caro e cara fã de música, cresceu ouvindo nomes como Pink Floyd, The Orb e C.J. Bolland. Bom, apenas para citar alguns. Boa viagem.

Ouça Pleasure and Purge abaixo.

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