King Gizzard & The Lizard Wizard – K.G.

O termo ‘volta às raízes’ definitivamente não se aplica ao coletivo Aussie de Melbourne

Por Luiz Athayde

Como sempre fazem, a rapaziada do King Gizzard & The Lizard Wizard  veio chegando como se não quisessem nada. Primeiro foi com a folk  “Honey”, depois com a típica “Some of Us”, e então a semi-acústica “Straws In The Wind”. Mas há pouco, mais um single, a diferentona (com direito a videoclipe sensacional) “Instrasport”.

King Gizzard & The Lizard Wizard 2020 (Divulgação)

Só daí, quase metade do que veio a ser o novo álbum da banda, intitulado apenas como K.G., e mais; ainda editaram 6 álbuns ao vivo oriundo de turnês feitas no ano passado. Mas aí é outro papo.

O que os singles e as seis faixas restantes do registro têm em comum com o Infest the Rats’ Nest, de 2019 já era esperado: quase nada. Por outro lado, as mesmas convergem de forma explícita para o Oriente. Pois é, só faltou uma cobrinha de bônus para acompanhar as músicas.

Nada que não tivessem feito anteriormente, mas aqui eles mergulham mais neste universo, ainda que sem deixar os característicos tempos, contratempos e claro, o fuzz de lado.

Obviamente, como dito acima, a pegada acústica (bem como o jazz) se faz sempre presente, e da maneira empolgante de sempre, dado o alinhamento com a bateria, agora comandada somente por Michael Cavanagh. “Minimum Brain Size” é uma das provas, inclusive por ser uma das faixas mais envolventes do disco.

“Ontology” traz um quê zeppeliniano, mas se destaca por ser extremamente percussiva. Embora ainda árabe, em alguns lapsos ela se assemelha às criações folclóricas dos irlandeses do Cruachan.

Vindo deles a psicodelia não poderia faltar, e “Oddlife” faz bonito porque sabem muito bem onde estão pisado. As escalas árabes proporcionadas pelas guitarras de Stu Mackenzie, mesclada as loucuras sintetizadas de Ambrose Kenny-Smith são de hipnotizar qualquer ocidental.

Quem estava sentindo medo da banda não soltar ao menos uma música com sinais de stoner, eis a surpresa: “The Hungry Wolf Of Fate” para encerrar o disco. Inclusive seu título, traduzido para o português, “O Lobo Faminto do Destino”, está mais para Black Sabbath do que qualquer outra coisa. Mas logo aviso que musicalmente é do jeito deles; qualquer comparação com Iommi e cia é mera perda de tempo.

Aos que acompanham essa banda formada há exatos 10 anos na movimentada cidade Aussie de Melbourne sabe que a qualquer momento pode vir disco e sob todos os tipos de influência. Logo, também está ligado (a) que o fator surpresa é algo inerente ao grupo.

E felizmente, no caso deles, o que tirarem da cartola será motivo, sem a menor sombra de exagero, para audições no repeat, já que é impossível sacar tudo ouvindo apenas uma vez.

Melhor ainda com o vinil ou CD em mãos, caso você seja daqueles que fazem questão (como este) do material físico. No mais, do jeito que eles reproduzem material como coelhos, bora curtir K.G. porque daqui a pouco vem mais.

Ouça o álbum completo via Bandcamp ou abaixo no Spotify:

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