F.Snipes, Rooster e Foolish27 fazem união bubblegum no split “Conexão Hill Valley”
Arte: Paulinho Tscherniak

F.Snipes, Rooster e Foolish27 fazem união bubblegum no split “Conexão Hill Valley”

Registro saiu carimbado pela Grudda Records nas plataformas digitais

Por Luiz Athayde

Senhoras e senhores, apertem os cintos porque a viagem será curta, mas intensa. Cortesia de três nomes emergentes da esfera punk de viés melódico, com direito a efeitos pegajosos irreversíveis.

As bandas Foolish27, de Vitória, ES, Rooster, de Guaíba, RS, e o recifense radicado nos Estados Unidos, Felipe Snipes juntaram forças e, pelo carimbo Grudda Records, soltaram nas plataformas digitais o split Conexão Hill Valley.

O registro teve produção assinada por Davi Pacote, e o resultado foi tão satisfatório que  ele foi homenageado na capa do álbum. Quem conta mais é o vocalista e guitarrista do Rooster, Eduardo Guga: “O título desse projeto, ‘Conexão Hill Valley’, é uma menção ao nome do estúdio do nosso amigo e grande produtor Davi Pacote, responsável pela gravação e produção de todas as faixas desse álbum. Escolhemos por unanimidade para homenageá-lo”.

A proposta não teve muitos rodeios. Idealizada por Rodrigo Abreu, cada banda deveria soltar uma música inédita e “coverizar” as outras duas participantes. “Eu adoro splits ou coletâneas e trabalhos cooperativos. Fortalece mais de uma banda ao mesmo tempo, então propus a ideia ao Guga e ao Snipes, que são dois amigos e que fazem um som que gosto muito”, comentou o instrumentista carioca radicado no Espírito Santo, que também integra outras formações, como Os Pedrero e 3 Craps. Orgulhoso, Snipes completa:  “A junção dos três projetos caiu como uma luva para o formato do split. Tenho muito orgulho do que fizemos em conjunto, foi um processo intenso e de muita interação”.

O resultado foi um compilado homogêneo de 9 faixas, que se gladiam entre as melodias do pop e a energia agressiva do punk. As versões dispensam comentários, já que no rock de três acordes, não há muita firula. Em contrapartida, as autorais revelam temas distintos; indo do amor perdido às reflexões em torno do amanhã.

O capixaba Foolish27 abre os trabalhos com a rápida, rasteira e não menos melódica “Segundo Lar”. Abreu revela que a faixa “fala basicamente de amor incondicional e eterno. De uma pessoa que perdeu o seu/sua companheiro (a) e que a visita todo dia no cemitério”.

E antes que qualquer pessoa pergunte se a mesma possui origem autobiográfica, ele se antecipa: “Não se trata de caso real. Na verdade, eu gosto de escrever sobre amor ou sentimentos tristes”. Em um projeto autoral eu consigo fazer o som que sempre quis, com meus jeitos, maneiras e gostos, sem tantas interferências ou sugestões”, conclui.


“Mais Uma Chance” é a canção autoral assinada pela formação gaúcha. O som mais cadenciado serve como uma linha paralela ao empurrão que a banda dá na letra. “É uma reflexão de como cada um pode pensar no próprio futuro, diante de um cenário de tantas incertezas”, disse a voz do Rooster. “É uma chance de amadurecimento coletivo frente ao desconhecido e das mudanças trazidas por essa rotina de isolamento. A música propõe que todo dia temos uma chance de recomeçar, lamber as feridas, reconhecer os erros e contradições presentes na relação do ser humano com a natureza para poder seguir em frente. Achamos importante escrever sobre temas que trazem mensagem de superações, ainda mais nos tempos atuais onde estamos sofrendo diariamente as perdas causadas pela pandemia.”


Por último, mas longe de ser menos importante, F.Snipes  apresentou “Sebastião”, uma faixa que denota a usual qualidade de seus trabalhos; aqui lançando mão de metais para dar um tempero a mais neste encontro não muito feliz entre camaradas de longa data.

O próprio abriu o jogo: “ ‘Sebastião’ fala sobre o reencontro de velhos amigos afastados pelos acasos da vida. A música é o desabafo de um amigo que apostou o seu futuro e a sua felicidade em outra vida, perdendo a sua própria personalidade. Num ato de desespero, o personagem faz um desabafo sobre as consequências deste relacionamento fadado ao fracasso, tendo em vista que a pessoa que se fez apaixonar já não é a mesma. Sebastião faz parte de uma nova fase de composições.”


Com a incerteza das coisas voltarem ao normal mesmo sendo precedido com o “novo”, a alternativa mais cabível e que nunca sai de moda são os álbuns colaborativos. E se tratando de underground, esse formato se mostra ainda mais assertivo. Em suma, Conexão Hill Valley  é a linha indicada ao viajante que anseia por três bandas que em nenhum momento desejou recostruir os trilhos do punk rock, mas se mostram extremamente competentes no que fazem, incluindo o nível absurdo de produção; algo que deveria ser o mínimo, mas que sabemos nem sempre ser possível. Vai na fé.

Ouça o disco completo no Spotify.

Este post tem um comentário

  1. MP Godinho

    esse split tem o selo davi pacote de qualidade!

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