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Entrevista Moderate Rebels: “Rebeldes Moderadas”

“É bom ter cuidado de onde você obtém suas informações, […] especialmente se suas informações vierem da mídia corporativa convencional”

Por Luis Taylor

Antes da quarta onda do Covid atingir a Inglaterra em cheio e os eventos começarem a serem cancelados, a equipe do Class of Sounds andou conferindo algumas bandas que estão surgindo na cena londrina independente. Trocamos ideia com uma delas, Moderate Rebels, que impressionaram como banda de abertura no show do incrível grupo de Manchester, W.H. Lung. Além da presença de palco, a banda se destacou ao lançar nada mais nada menos do que um álbum triplo com 30 musicas – If You See Something That Doesn’t Look Right!

Confira a seguir a entrevista com a Moderate Rebels e corra para conhecê-las: já disponíveis nos melhores streamings do ramo.


Em primeiro lugar, olá e obrigado por tirar um momento para responder as nossas perguntas. Moderate Rebels: tudo envolvido com a banda parece superlativo. SETE pessoas se apresentando ao vivo!

Moderate Rebels: Na verdade, esse foi nosso primeiro show ao vivo com 7 pessoas! Não pensamos muito sobre isso…  não temos nenhuma expectativa em particular, mas gostamos da ideia de que as pessoas podem ir e vir, e às vezes voltar uma vez mais, dentro da configuração da banda. As pessoas têm outros projetos musicais ou mesmo coisas da vida para fazer. Somos  fundamentalmente instáveis e em constante mudança. Então, embora possa haver um núcleo de pessoas envolvidas em alguns momentos, as combinações continuam acontecendo e com elas evoluem os sons e as ideias. Afinal de contas, duas pessoas não fazem nada exatamente da mesma maneira. A ideia de que uma banda seriam as mesmas 4 pessoas trabalhando juntas como uma coisa do tipo ‘última gangue da cidade’ não é o nosso objetivo… e esse tipo de formação parece mais uma estratégia de marketing datada do século 20, de alguma forma.

Moderate Rebels ao vivo no Scala em Londres, 16 de novembro de 2021 (Foto: Luis Fernando Taylor)

Como vocês se encontraram e o quão difícil é escrever músicas com tanta gente envolvida? Ou é por isso que estão lançando um álbum TRIPLO (as ideias de todo mundo entraram no disco)?

Moderate Rebels: Sobre nosso processo de criação, duas de nós escrevemos as ideias iniciais e procuramos guiar as músicas durante a gravação, mas todos que estão por perto são bem-vindos para contribuir com as ideias que têm e responder de forma natural a criação da musica. Procuramos não ter ambições pessoais e evitar competição, pois queremos que as coisas aconteçam por si mesmas e apenas buscamos as condições certas para gerar esse processo.

A ideia do álbum triplo acabou de chegar, quando de repente percebemos que tínhamos ideias de músicas novas o suficiente em andamento para ele, e gostamos da ideia de um corpo de trabalho que as pessoas poderiam mergulhar se quisessem – deu muito trabalho mixar 30 canções (pouco menos de 2 horas de música nova) de uma só vez. Não tenho certeza se seríamos voluntárias para fazer isso de novo… talvez seja melhor trabalhar em lotes menores de músicas no futuro, apenas para o nosso bem-estar, ha! Mas fomos atraídas para a loucura “heróica” disso de alguma forma.


Fale um pouco do álbum “If You See Something That Doesn’t Look Right” para a gente.  

Moderate Rebels: É o nosso som se estendendo em várias direções ao mesmo tempo, musicalmente e liricamente. O primeiro álbum do Moderate Rebels em particular foi bastante conceitual, o segundo álbum foi mais além musicalmente, e este terceiro pegou ambos os aspectos e sentimos que os expandimos, até que não soubéssemos que gênero estávamos tocando, se a música era mesmo ainda “uma música” ou se a letra ainda significava alguma coisa. No entanto, há uma boa quantidade de humor distópico de ficção científica ali, e isso é feito para lhe dar prazer, não para fazer você se sentir oprimido.


Fiquei realmente impressionado com a forma como a banda se apresentou ao vivo. 3 guitarras, 3 vocais… Podemos ligar você a alguma influência específica? Ou estava apenas evoluindo para isso?

Moderate Rebels: Com muitas pessoas envolvidas em shows e gravações, você escolhe, e provavelmente somos influenciadas por isso. Nós não pensamos nisso… nós experimentamos coisas, e se gostamos delas, elas ficam por um tempo. Sons grandes são sempre empolgantes e gostamos da sensação de drama na música também. Alguém disse ‘Spiritualized, The Shangri Las e Stereolab’ e nós gostamos disso, pois gostamos de todos eles. Mas você poderia facilmente citar outras três influências que gostaríamos também. Chega ao ponto de “quem sabe?” e isso está bom para nós.


Vamos falar um pouco sobre o nome da banda. Rebeldes Moderados não é realmente o que os tempos atuais pedem, não e mesmo?

Moderate Rebels: Depende do que você acha que “rebeldes moderados” significa, suponho, foi uma frase de notícias de cerca de 5 anos atrás (relacionada à Síria) que ouvimos muito e nos perguntamos o que realmente significava para nós mesmos. Gostamos de contradições, então isso chamou nossa atenção. As pessoas com metralhadoras são descritas com precisão como algo “moderado”?

Susan Milanovic, Anna Jones, Morag Bruce, Emma Faulkner e Kate Worthington: Moderate Rebels (Foto: Divulgação/Press)

Foi uma crítica a uma geração baseada na mídia social?

Moderate Rebels: Sendo otimistas, como basicamente somos, a geração após a “geração da mídia social” já percebeu que nem sempre é do interesse deles “compartilhar” suas vidas inteiras na internet para sempre… então ninguém precisa que digamos nada sobre isso. Resumindo – não, não foi. E onde vocês se posicionam na discussão sobre mudanças climáticas? Idealmente, gostamos de não nos posicionar em nenhum lugar, em nada – mal estamos interessados ​​em nossas próprias opiniões fugazes. Quem realmente se importa com o que pensamos?

Somos meio contra “opiniões” fixas em geral – talvez as pessoas ficassem mais felizes se tivessem menos “opiniões” e saíssem de casa para se encontrar mais com os amigos. Tudo o que diríamos, é isso. É bom ter cuidado de onde você obtém suas informações, e sempre se faça algumas perguntas, especialmente se suas informações vierem da mídia corporativa convencional, antes de decidir por uma “opinião” sobre a qual deseja enfatizar a outras pessoas.

E se você está se “rebelando” de uma forma que as corporações supranacionais, governos e a grande mídia estão encorajando e aprovando – pergunte-se… você está realmente “se rebelando” de alguma forma?


Ok, uma pergunta muito profunda, eu acho. Para encerrar essa rápida entrevista, você poderia nos contar 3 registros que levaria para uma ilha deserta? E por que eles?

Moderate Rebels: Pergunta mais que difícil essa. Ao pensar sobre ficar isolado em uma ilha deserta, a gente supõe que o tempo estará bom, então, optamos por uma seleção mais extasiante de obras-primas.

– Miles Davis ‘In A Silent Way’
Não posso acreditar que houve um tempo em nossas vidas em que não conhecíamos isso. Um dos nossos discos favoritos de todos os tempos – você pode senti-lo funcionando, é uma mágica sutil toda vez que você o toca. Nunca cansa, o que é importante para uma ilha deserta. [https://open.spotify.com/track/267lVml7gJ9xefwgO6E2Ag?si=2c41866c2a0848d9]

My Bloody Valentine ‘Loveless’ 

Costumava tocar isso em lojas de discos para irritar os clientes, mas é um clássico de todos os tempos e que ainda soam unicos – não posso contestar isso.  [https://open.spotify.com/track/2niQHvviKRUaJNgxwpLklM?si=7ca477e4b3814016&nd=1]

 – The KLF ‘Chill Out’
Outra obra-prima, poucas pessoas falam sobre este álbum, e ele lhe dá tantas idéias apenas ouvindo … em qualquer humor que você esteja. Perfeito para longos períodos de isolamento em uma ilha. [https://open.spotify.com/track/3vCHWaRW3HmlBvp88ly2Ol?si=15a99f69560b48f1]

Moderate Rebels no Backstage (Foto: Susan Milanovic)

Interview: Moderate Rebels

“It’s good to be careful where you get your information from, […] especially if your information is coming from the mainstream corporate media”


Before the fourth wave of Covid hit England hard and events started to be cancelled, Class of Sounds had been checking out some bands that are emerging on the London independent scene. We exchanged ideas with one of them, Moderate Rebels, who impressed as an opening act for the amazing Manchester group W.H. Lung. In addition to the stage presence, the band stood out by releasing nothing less than a triple album with 30 songs – If You See Something That Doesn’t Look Right!

Check out the interview with Moderate Rebels below and get to know them: they are already available on the best streams around.

Everything seems to be superlative with you. First of all, 7 people in the band! 

Moderate Rebels: That was our first gig with 7 people live actually! We don’t think much about it really… we don’t really expect anything in particular, but we like the idea that people come and go, and sometimes come back again, from Moderate Rebels’ set up. People have other musical, or life, things to do. It’s fundamentally unstable and ever-changing, so although there can be a core of people involved at some points, the combinations keep moving around and evolving the sounds and ideas. No two people do anything quite the same way, after all.The idea that a group would be the same 4 people working together as a ‘last gang in town’ type thing, is not what we are about… and that whole kind of set up just feels 20th Century dated marketing, in some way. 

How did you get together and how hard is it to write songs? Or is this why you’re releasing a TRIPLE album (everyone’s ideas get in)? 

Moderate Rebels: A couple of us write the starting ideas, and look to guide the songs through recording, but everyone who is around is very welcome to contribute the ideas they have, and respond in a way that feels natural to them. We look to have no ambitions and we don’t strive, so we really want things to happen by themselves, and we just look for the right conditions to generate that process.  

The triple album idea just arrived, as suddenly we realised that we had enough new song ideas in progress for it, and we liked the idea of a body of work that people could delve into if they wanted – it was a lot of work mixing 30 songs (just under 2hrs of new music) at once though. Not sure that we would volunteer to do that again… might be better to work in smaller batches of songs in future, just for our well being, ha! But we were drawn to the ‘heroic’ folly of it in some way.


Can you tell us a bit about the triple album itself?

Moderate Rebels: It’s the sound of us stretching out in a lot of directions at once, musically and lyrically. The first Moderate Rebels’ album in particular was quite tightly conceptual, the second album pushed further musically, and this 3rd one took both aspects and we felt expanded them, until we didn’t know what genre we were playing, if the song was even still “a song” or if the lyric still meant anything at all. There is a fair amount of dystopian sci fi gallows humour in there though, and it’s meant to give you enjoyment, not make you feel weighed down.


I was really impressed with how the band performed live. 3 guitars, 3 vocals… Any specific influence we can tie you to? Or was it just evolving into this?

Moderate Rebels: With a lot of people involved in live and recording, you name it, and we’re probably influenced by it. We don’t think about it… we try things out, and if we enjoy them they stay for a while. Big sounds are always exciting, and we like a sense of drama in the music too. Someone said ‘Spiritualized, The Shangri Las and Stereolab’ and we liked that, since we like all of them. But you could easily name another three influences that we’d like aswell. It gets to the point of “who knows?” and that’s fine by us. 

Moderate Rebels live at Scala, London, November 16th, 2021 (Photo by Luis Fernando Taylor)

Let’s take a moment to talk about the band’s name. Moderate Rebels is not really what these times ask for. 

Moderate Rebels: Depends on what you think “Moderate Rebels” means I suppose, it was a news phrase from about 5 years ago (realted to Syria) that we heard a lot, and we wondered what it really meant ourselves. We like contradictions, so it caught our ear. Are people with machine guns accurately described as “moderate” anythings? 


Was it a criticism to a social media based generation? 

Moderate Rebels: Being optimistic, as we basically are, the generation after the “social media generation” have already sussed out that it’s not always in their interests to be “sharing” their whole lives on the internet forever… so no one needs us to say anything about that. In short – No, it wasn’t. And where do you position yourselves in the climate change discussion? We ideally like to not to position ourselves anywhere, on anything – we are barely interested in our own fleeting opinions. Who really cares what we think? We’re sort of against fixed ‘opinions’ generally – perhaps people would be happier if they had less ‘opinions’, and got out of the house to meet their friends more. All we would say, is this though. It’s good to be careful where you get your information from, and always ask yourself some questions, especially if your information is coming from the mainstream corporate media, before you settle on an ‘opinion’ that you want to strongly tell others about. 

And if you are “rebelling” in a way that supranational corporations, governments and the mainstream media are encouraging and approving of – ask yourself… are you really “rebelling” at all? 


Ok, very deep question, I reckon. To end this quick interview, could you tell us 3 records you’d take to a desert island? And why them? 

Moderate Rebels: Hardest question this. Thinking about being isolated on a desert island, we’re guessing the weather will be mostly fine, so we’ve gone for a more blissed out selection of masterpieces.

Miles Davis ‘In A Silent Way’

Can’t believe there was a time in our lives when we didn’t know this. One of our all time favourite records – you can feel it working it’s subtle magic every time you put it on. Never ever gets tiring, which is important for a desert island. [https://open.spotify.com/track/267lVml7gJ9xefwgO6E2Ag?si=2c41866c2a0848d9]

– My Bloody Valentine ‘Loveless’

Used to play this is record shops to annoy customers, but it’ s an all time classic that doesn’t sound like anyone else – can’t argue with that. [https://open.spotify.com/track/2niQHvviKRUaJNgxwpLklM?si=7ca477e4b3814016&nd=1]

– The KLF ‘Chill Out’

Another masterpiece, not enough people talk about this album, and it gives you so many ideas just listening to it… in whatever mood you are in. Perfect for extended periods of isolation on an island. [https://open.spotify.com/track/3vCHWaRW3HmlBvp88ly2Ol?si=15a99f69560b48f1]



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Entrevista/Interview: Luis Taylor
Revisão/Text Revision: Luiz Athayde
Fotos/Photo: Luis Taylor/Susan Milanovic/Divulgação/Press

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