Elder Island – Swimming Static

Elder Island – Swimming Static

Quando o ato de experimentar é tão natural que o produto final soa como se feito em questão de minutos

Por Luiz Athayde

Síndrome do segundo disco? Que nada! Se em algum momento o Elder Island  se encontrou afetado por isso, com certeza o público não ficou sabendo. Ainda mais com esse novo petardo, intitulado Swimming Static.

Recém-saído do forno pela própria banda em parceria com o carimbo independente The Orchard, o álbum traz aquela configuração infalível de “x” indivíduos que se completam nas quatro paredes de um estúdio; e neste caso, os tais são a vocalista, baixista e violocenlista Katy Sargent mais Luke Thorton e David Havard se dividindo nas guitarras, teclados, baixos e baterias afins.

Elder Island (Foto: Divulgação)

Bem como a nova safra de formações britânicas, esta, oriunda de Bristol, carrega consigo o tino para experimentar sonoridades, aqui através de uma roupagem essencialmente eletrônica, mas sem deixar de percorrer sutilmente os caminhos da música folk dos tempos quem eram apenas estudantes.

Os sites catalogadores e de ranking já tratam de rotulá-los de Art Pop, até para prover uma certa facilidade na hora da venda, mas logo ao apertamos o play, descobrimos que “Embers” vai muito além do vago. É pop, atualíssimo e bem em ritmo de abertura.

“Purely Educational” já mostra o por que da presença massiva dos sintetizadores. PJ Harvey encontra Depeche Mode na ‘Avenida Playing the Angel’, mas o gene da emotividade detectado lá no autointitulado EP de estreia de 2014.

Ainda synth, tão pop quanto, e sobretudo com uma considerável carga de groove, “Small Plastic Heart” se resume em uma simbiose entre os vocais de Sargent e a cozinha urbanamente eletrônica do refrão extremamente envolvente.

Ainda sobre refrãos, ou melhor “Sacred” chega na sequência com o poder de um single; radiofônico, independente do horário. Já não é necessário dizer que foi uma das escolhidas para o videoclipe.


“Here Am I” apresenta uma batida que serve mais como pano de fundo para um constante crescendo, na verdade abrindo portas para a excelente “Queen of Kings”, a faixa mais completa de todo o registro; tem ethereal, folk de mote medieval e claro, synthpop – é música eletrônica na corte da rainha de todos os reis.

“Feral” começa com um peso característico de synths, se intercalando com beats que em certos momentos remetem à bossa nova, embora aqui nada seja definido, como bons experimentalistas que são. E mesmo no refrão, a densidade continua intacta, reforçando nada menos uma dinâmica fantástica. Aliás, esse foi outro single com merecida produção videoclíptica.

Quase todo álbum que se preze tem uma faixa estilo “pisada no freio”, e neste é “Interwine”. O BPM é notoriamente criado para dar ênfase às melodias vocais de Katy, causando um efeito quase que imediato de hipnose aos que já estiverem imersos no contexto sônico.

Não menos climática é “Cannonball”, com uma abordagem ainda mais orgânica, até por usarem uma bateria acústica nesta faixa. “Late at Night” encerra o disco voando de volta para as festas de gala da década de 70, com todo o charme que só a soul music pode proporcionar.

Para quem nunca para no mesmo lugar, musicalmente dizendo, Swimming Static  é quase uma ironia. Mas é aí onde está o ponto chave do Elder Island: ao menos até aqui, por mais que experimentem, flertem com outros estilos, eles conseguiram uma das coisas mais difíceis em uma banda: carimbar sua própria marca.

Tudo bem que ainda se trata do segundo disco e 8 anos de estrada é só o começo, mas o que foi feito na classe de 2021 já é digno de louvor. Um dos melhores discos do ano.

Ouça completo no Spotify.

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