Deliverance – Astral

Deliverance – Astral

Banda mexicana estreia guiada pelo prisma dos Nephilins de Carl McCoy

Por Luiz Athayde

Após longa espera, sanada por alguns singles, a formação gótica mexicana Deliverance lançou seu álbum de estreia, intitulado Astral.

Deliverance (Foto: Divulgação)

Oriunda de Monterrey, a banda é centrada no vocalista, guitarrista e compositor Rui Delirio, e no baterista e programador Marco Soma. Além de contar com Sosa Antonio no baixo. Antes chegarem neste registro, estrearam com “World Made Flesh”, dando uma pista das influências que girariam em torno deles, como The Sisters of Mercy e, sobretudo, Fields Of The Nephilim.

Outra faixa anteriormente lançada e que consta no disco é “Tears In Rain”. Se havia dúvidas em relação ao prisma seguido pelos mexicanos, essa foi embora com tal single. Depois também veio “White Room”, talvez a música mais direta, gothic rock, do grupo.

Mas isso já acontece na primeira faixa, ou melhor, segunda, depois de uma intro misteriosa – bem nos moldes do Fields. “The House Again” surge como se fosse um daqueles trabalhos spin-off, ou seja paralelos à banda liderada por Carl McCoy. Há também conexões indiretas com NFD e Last Rites.

Apesar das referências, algumas vezes explícitas, é preciso dizer que não se trata de uma mera cópia. Na verdade, no discorrer das músicas, o ouvinte percebe que o grupo, mesmo em sua era embrionária, tenta achar seu caminho. Um bom exemplo é o interlúdio acústico e tribal “Dream Walker”, que abre as portas para a mais cadenciada “Last Days”.


Outra faixa que não passa despercebida e um dos pontos mais altos é “Little Bird”; uma espécie de cruzamento sônico entre McCoy, Trent Reznor e Marilyn Manson em um beco escuro. Parece experimental para o pouco que fizeram desde 2020, mas soa bem condizente com sua proposta, e o resultado é excelente.

A estreia discográfica dos caras também rendeu uma participação especial: Zac Campbell, dos deathrockers estadunidenses The Kentucky Vampires. “The Danger” tem uma passagem de violão nos arranjos que ficou amplamente conhecida no The Mission, mas principalmente no Sisters ainda com Wayne Hussey, e aqui apresenta uma cara mais voltada para os Nephilins de Stevenage.

Em resumo, Astral não se trata de originalidade, mas de honestidade e isso, nossos hermanos possuem de sobra, inclusive por não esconderem sua reverência pela velha escola do dark, mas também sabendo que possuem muito caminho pela frente.

Ouça o álbum completo no Bandcamp.

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