Carlos Vega – Art of the Messenger

Carlos Vega – Art of the Messenger

Saxofonista de Miami chega ao disco cheio guiado pelo prisma de Art Blakey

Por Luiz Athayde

E vamos de jazz, vamos de Carlos Vega. E não me refiro ao renomado batera, mas do exímio saxofonista natural de Miami, Flórida, e, importante dizer, com DNA porto-riquenho.

Carlos Vega (Foto: Reprodução/FAMU)

A pegada latina não é nenhuma novidade em seu breve catálogo solo, composto por Bird’s Ticket  (2016) e Bird’s Up  (2017), mas se trata de um “up” natural, como é esperado em pelo menos boa parte dos músicos que se propõem a registrar um material fonográfico. Como é o caso de Art of the Messenger, recém-lançado pelo carimbo especializado Origin Records.

Trazendo um currículo que envolve nomes como Arturo Sandoval, Gloria Estefan and the Miami Sound Machine, Tito Puente Jr., Chicago Afro Latin Jazz, Ira Sullivan e muitos outros no seu leque de performances, Vega também leciona sax e ocupa o cargo de diretor do Latin Jazz Ensemble na Florida Agricultural e no Mechanical University em Tallahassee, Flórida.

Para escalar o time de músicos para gravar o álbum, Carlos não pensou duas vezes. Graduado pela Universidade de Illinois, sua imersão no cenário sônico de Chicago foi quase automático, e por isso mesmo contou com Victor Garcia (trompete), Stu Minderman (piano), Joshua Ramos (baixo) e Xavier Breaker (bateria).

Mas, a inspiração veio de Pittsburgh, Pensilvânia, ou melhor, do lendário baterista e líder de banda Art Blakey. Na verdade, sendo ainda mais específico, de seu icônico grupo Jazz Messegers – daí a conexão com o título do álbum.


Nessa espiral jazzística visualizamos 11 voltas sinalizadas tanto pelo latin jazz quanto pelo hard bop – subgênero do jazz (mais um) que na verdade é uma extensão do bebop, marcado basicamente por influências do rhythm and blues, música gospel e do blues propriamente dito… além de possuir uma característica mais desafiadora em alguns, casos, como se fosse um próximo nível –, calcado em arranjos engenhosos e, ainda assim, palpáveis aos ouvidos.

Experimente a latinidade de “Bird’s Word”, ou a destreza melódica de “Ode to the Patient Observer”, acentuado pelo sax hipnotizante de Vega, embora “Heed the Call” não fique nada atrás na função de prender a atenção do ouvinte.

Art of the Messenger  é notavelmente guiado pelo prisma da mais famosa formação de Art Blakey, mas ao mesmo tempo traz um tempero especial tanto para os “macacos

velhos” do gênero, quanto para novos ouvintes, e é aí que percebe-se o êxito de sua missão: servir como um mensageiro. Do jazz.

Ouça o álbum completo no Spotify.

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