Ride emociona público em sua primeira visita ao Brasil

Ride emociona público em sua primeira visita ao Brasil

A atração da nona edição do Balaclava Fest em São Paulo ainda veio acompanhada de nomes emergentes da cena independente

Por Luiz Athayde

Quando Liam Gallagher anunciou o encerramento das atividades do seu Beady Eye em 2015, de imediato me veio à cabeça com um “quê” de esperança, uma possível reunião do Ride. Para minha grata surpresa, eles voltaram e ainda soltaram o excelente Weather Diaries em 2017, e para minha imensa felicidade, a banda veio ao Brasil, pela primeira vez, num festival independente recheado de bandas novas e algumas já seminais; o Balaclava Fest, no Áudio, em São Paulo, no último dia 27 de abril de 2019.

Nessa nona edição, Tuyo, Terno Rei e a cantora, compositora e artista visual Luiza Lian foram os nomes brasileiros do cast, enquanto que Vagabon (EUA), Land Of Talk (Canadá), How To Dress Well (EUA), Wild Nothing (EUA) e Ride (Inglaterra) vieram de outros mares.

Infelizmente, como em quase todos os festivais, nunca é possível conferir todas as bandas por conta dos palcos e horários cruzados, mas, dadas as condições – por muito pouco não consegui ir graças à Avianca, que cancelou todos os vôos –, já era uma vitória estar ali.

Logo de cara, no palco ‘Club’ começo com Vagabon, uma camaronesa radicada há muitos anos na cidade e na cena musical de Nova Iorque, fazendo um show extremamente simples, minimalista e cheio de emoção, inclusive demonstrando, no intervalo de cada música, uma enorme felicidade por estar no Brasil. Foram 50 minutos de um set baseado no então único álbum Infinite Worlds, calcado numa voz doce aliada à sua fender e “caixa de batidas”. Muito bom.

Vagabon. Foto: Fabricio Vianna

Na sequência, no palco ‘Stage’, os canadenses do Land Of Talk, também pisando em nossas terras pela primeira vez. Mesclando sons de sua breve discografia, a banda fez um dos shows mais energéticos do festival. O carisma e a presença de palco da vocalista/guitarrista Elizabeth Powell era quase tão absurda que até a corda arrebentada em ‘The Hate I Won’t Commit’ já no desfecho, fez parte do show; trocou, recomeçou, sem frescuras! Certamente angariou  fãs – incluindo este.

Elizabeth Powell, Land of Talk. Foto: Fabricio Vianna
Joe Yarmush, Land of Talk. Foto: Fabricio Vianna

Às 21:10h no ‘Stage’ sobe Wild Nothing. Liderada por Jack Tatum, um aficionado pelos anos 1980,  era a segunda visita da banda ao Brasil. Na verdade, eles já se encontravam no palco enquanto se preparavam para tocar. Nenhuma reação do público, até iniciarem com “Nocturne” do homônimo de 2012. Daí para frente foi só alegria e um clima bem “chill”, com músicas que vagaram por todos os seus discos e até mesmo EPs como Golden Haze (2010), com a faixa título e Empty Estate (2013) com “A Dancing Shell”. “Wheel of Misfortune”, “Flawed Translation” e “Partners in Motion” foram algumas demonstrações de como seu último álbum, Indigo (2018) agradou, mas foi em “Live in Dreams”, do álbum de estreia Gemini (2010) que levantou parte da massa presente, especialmente os mais jovens. O ponto mais viajante ficou com a maravilhosa “Paradise” do Nocturne (2012), e foi com mais uma do mesmo disco que encerraram o show, fazendo do Brasil rota certa para lançamentos futuros.

Wild Nothing. Foto: Luiz Athayde
Jack Tatum, Wild Nothing. Foto: Fabricio Vianna
Wild Nothing. Foto: Fabricio Vianna

Por fim, Ride!

Espera: passagem de som dos roadies antes do show, no telão, uma aparição de cunho fantasmagórico, estranho, para dizer o mínimo; era o ABC Love de ‘Gevard Dulove‘ tocando em um palco montado do lado de fora. Na página do Balaclava Fest no Facebook, interessados perguntavam: “que banda é essa que está tocando no telão antes do Ride?”

Gevard DuLove, ABC Love: Foto: Marcos Antoniete

De volta, chegada mais do que esperada dos reis de Oxford, Inglaterra. Mark Gardener (guitarra, vocais), Andy Bell (guitarras, vocais – após passagem duradoura pelo Oasis e uma breve pelo Beady Eye), Steve Queralt (baixo) e Laurence Colbert (bateria) enfim, pela primeira vez no Brasil. Já começam surpreendendo com a novíssima ‘Future Love’, que está em This Is Not a Safe Place, que sairá no dia 16 de agosto desse ano. Piração imediata do público, especialmente o mais velho, ainda sem acreditar que a banda estava ali. Na sequência, emendam ‘Lannoy Point’ do Weather Diaries (2017) e uma sessão de clássicos  dos aclamados Nowhere (1990) e Going Blank Again (1992), com ‘Seagull’, ‘Dreams Burn Down’ e  ‘Twisterella’, fazendo muitos ali passarem mal – no bom sentido, claro.

Mark Gardener, Ride. Foto: Fabricio Vianna
Andy Bell e Mark Gardener, Ride. Foto: Fabricio Vianna
Andy Bell, Ride. Foto: Fabricio Vianna
Mark Gardener, Laurence Colbert e Steve Queralt, Ride. Foto: Luiz Athayde

Mais uma do último com ‘Charm Assault’ até outra bateria de clássicos com ‘In A Different  Place’, Chrome Waves’, ‘Taste’, ‘Vapour Trail’ – essa última arrancando lágrimas de parte do público, incluindo quem vos escreve – e o b-side ‘Drive Blind’, pesadíssima ao vivo. Antes do primeiro bis, ainda tocaram mais uma nova, ‘Kill Switch’. Daí em diante, não teve conversa: ‘Leave The All Behind’, ‘Polar Bear’, ‘Chelsea Girl’, a bela ‘Catch You Dreaming’ do ep Tomorrow’s Shore (2018), já no segundo bis e o fechamento com chave de ouro com ‘Like a Daydream’ .

Diferente dos vídeos que se via antes da vinda deles ao Brasil, quem esteve presente no último fim de semana de abril pôde conferir uma banda com sede de palco e uma felicidade imensa pela oportunidade de tocar para o público sul-americano. E isso vale também para as bandas que antes tocaram, graças ao empenho do pessoal da Balaclava Records em fazer isso acontecer. Embora os preços fossem bem salgados (quem mora fora de São Paulo consequentemente acaba sofrendo mais), a chance de ver bandas desse porte num evento acessível, no que diz respeito ao “não caos” de festivais como “Lollapalloozas” e “Rock in Rios” da vida, é única, assim como recomendável. No aguardo das próximas edições.

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