Nicolas Godin – Concrete and Glass

Nicolas Godin – Concrete and Glass

Se a música é universal, a sede da nova cara de Godin é a Riviera Francesa  

Por Luiz Athayde

Após flertar com a música clássica em Contrepoint, seu álbum de estreia, o francês e uma das mentes criativas do Air Nicolas Godin volta cinco anos depois mais relaxado, mas não menos envolvente – e charmoso.

Concrete and Glass é o disco número dois do francês nascido na pequena Le Chesnay, Île-de-France, de uma equação distante de seu projeto principal (Air).

Como aperitivo, Godin soltou dois dos mais instigantes sons desde os tempos iniciais do Air: “The Border” e “The Foundation”, contando com canja especialíssima do cantor, compositor e ativista norte-americano Cola Boyy.

Abrindo de maneira até enigmática, a instrumental faixa título soa quase espacial, e serve de introdução para a baleárica e setentista “Back To Your Heart”, na primeira das cinco participações no álbum.

Nicolas Godin na Villa Savoye, projetada por Le Corbusier (foto: Camille Vivier)

Embora longe da costa, a cantora tártara Kate NV – o mais próximo que a República do Tartaristão, Federação da Rússia, está da água salgada é o Mar Cáspio, e mesmo assim, haja caminhada – faz o ouvinte se sentir na beira de qualquer praia.

Kadhja Bonet traz o contraponto “doce” à psicodelia ambient de “We Forgot to Love”. Com um belíssimo groove, “What Makes Me Think About You” traz os dias graciosos do Air em uma revisita mais do que natural de Godin aos seus dias iniciais com Jean-Benoît Dunckel. O motivo dele ainda não ter feito isso em duo ainda é um mistério.

O excêntrico artista aussie Kirin J Callinan “baixa a bola” para adentrar no universo do francês em uma das faixas mais legais do disquinho. “Time on My Hands” traduz de fato o significado do verbo “envolver”, que tanto este usa; pop, subaquática, densa. Dos grandes momentos do álbum.

A já citada parceria com o Cola Boyy dispensa maiores comentários; não à toa foi para a linha de frente para divulgar o registro. Nada atrás está Alexis Taylor, a voz do Hot Chip em “Catch Yourself Falling”. É a faixa que mais se aproxima da Soul Music, ao mesmo tempo em que encerra uma tarde ensolarada na Riviera Francesa.

O lado mais obscuro de Godin se mostra na já acima citada “The Border”, em um verdadeiro clima post-mortem, também mostrando sua versatilidade para climas acinzentados, mesmo, novamente, revisitando no âmbito criativo, os trabalhos como duo.

“Turn Right, Turn Left” já tem uma cara cinematográfica. Longe de excluir todo o álbum, claro, mas a pegada desta faixa caberia em qualquer cena fantasiosa de algum filme do saudoso Alain Resnais. “Cité Radieuse” encerra seu caderno da classe de 2020 à la Jarre, também com aquele toque jazzy do antigo cinema erótico; típico do DNA francês. 

De uma maneira geral, Concrete and Glass mostra Nicolas Godin no auge do seu charme como artista solo, e também nos faz refletir se o Air, apesar de todo o nome, realmente faz falta.

Mal estamos no fim de janeiro e me arrisco, sem medo que estamos diante de um dos melhores discos de 2020; cortesia das (não convencionais) participações de luxo e claro, do talento fora de série de Godin.

Ouça Concrete and Glass no Spotify:

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