Entrevista: Bernays Propaganda na era das relações isoladas
Foto: Divulgação

Entrevista: Bernays Propaganda na era das relações isoladas

Vasko Atanasoski e Tina Gorovska abriram o jogo sobre música e outros assuntos curiosos

Por Luiz Athayde

Música, cena independente, política, futebol,  coronavírus; mais música. E outros assuntos que simplesmente não caberiam nessa entrevista; resultado de inúmeros contatos via email, redes sociais e até mesmo em vídeo, com o super gente fina dos ótimos sons macedônios Vasko Atanasoski, uma das mentes criativas do Bernays Propaganda.

Juntamente com ele, a vocalista Tina Gorovska, especialista em expressar suas emoções através da arte; seja ela qual for.

Abaixo, um vislumbre da conversa com dois grandes nomes da cena indie da Macedônia, bem como do cenário alternativo europeu. Confira!


Olá tudo bem? Primeiramente gostaria de agradecer por falarem com o Class of Sounds e o Brasil. Até onde sei, é a primeira vez que uma banda da Macedônia fala com esta parte do globo.

Vasko Atanasoski: Luiz, estou feliz e me sentindo com sorte desde a primeira vez que você me contatou e ficamos amigos. Obrigado do fundo do meu coração por me dar oportunidade de me comunicar com o Brasil através de você e sua incrível plataforma musical Class of Sounds.

O prazer é todo meu! Bom, vamos lá. O que exatamente vocês estavam pensando quando formaram o Bernays Propaganda?

Vasko Atanasoski: Naquele verão de 2006, eu não tinha nada em mente, porque eu realmente não sabia aonde essa banda me levaria e eu não sabia seo grupo sobreviveria mais de um verão. Fui levado pela intuição. Desde então, toda vez que eu sofria por pensar nisso, eu ficava feliz em continuar.

Todos os integrantes vieram da cena punk? O que os moveram a criar algo diferente?

Vasko Atanasoski:  A maioria (95%) dos membros do Bernays Propaganda vieram da cena d.i.y. [do it yourself – faça você mesmo, em português] / hardcore / punk. Minha motivação era o status quo da cena local e global de HC de meados de 2000. E aqui estamos nós, 14 anos depois, tocando música um pouco mais diferente de nossas origens, mas com a mesma atitude desde o começo.

Deni Krstev, Kristijan Lafazanovski, Rade Jordanovski, Vasko Atanasoski e Kristina Gorovska (Divulgação)

Vtora mladost, treta svetska vojna (em português: Segunda Juventude, Terceira Guerra Mundial) é um álbum fantástico. Talvez o melhor momento do Bernays Propaganda como uma banda consistente e criativa. De onde veio tanta inspiração?

Tina Gorovska: Vem da falta de confiança de que “os bons” são maioria, é uma busca por essa “flor no deserto”! é realmente difícil encontrar mulheres verdadeiramente independentes neste país, parece que quase todo mundo é membro dos dois partidos políticos que estragaram nossas vidas nos últimos 30 anos. Essa matriz da escravidão realmente frustra! Então, o álbum é uma trilha sonora agridoce da guerra privada realizada no coração de um homem ou mulher que importou a Terceira Guerra Mundial para casa, com a família mais próxima e mais querida, em vez de usar a energia para lutar fora com o inimigo real.

Esquecemos de confiar nas coisas boas, vemos, comentamos e as observamos nas redes sociais à distância, mas não as produzimos o suficiente. Tudo virou de cabeça para baixo… Nós cozinhamos comida e primeiro tiramos fotos para o Instagram, depois comemos. Em vez de sair e sentir a natureza, perguntamos ao Deus todo-poderoso e moderno: ‘Google, como se cheira uma flor de lavanda?’ Vivemos uma vida indireta com objetivos importados – que não vem diretamente do coração – nos casar porque devemos, passando mais tempo com colegas do que com entes queridos, ter birras constantes, porque alguém nos disse que devemos ser os melhores, os mais rápidos , o mais forte… O sol nasce e o sol se põe, mas gostamos de complicar no meio e nos cercar de coisas que não precisamos. Quem precisa de todas essas roupas, carros, sapatos, cosméticos? Agora percebemos que a lista do básico não é o que o capitalismo nos disse, mas a lista é muito simples e curta: ar fresco, comida, abrigo, amor. E liberdade. Antes da jaula de quarentena do “Covid-19”, optamos por viver 60% do tempo na internet com o smartphone em nossas mãos, ignorando nossos entes queridos, e agora temos 100% de prisão virtual, por isso choramos por contato físico, movimento, liberdade que perdemos, mas enquanto vivermos em canibalismo (capitalismo) nós éramos e seremos sempre livres?

Como os fãs estão reagindo ao novo álbum?

Tina Gorovska: Eu acho que a maioria das pessoas que está ouvindo nossa música está apreciando as constantes mudanças e experimentando o som, principalmente no último álbum. Não sei se podemos sempre chamar essas mudanças de crescimento, mas é certamente o habitat natural que é mais forte que a nossa consciência. Também estamos cientes do fato de que perdemos muitos fãs locais com o último álbum, que é um risco que estamos dispostos a correr, porque nós fomos honestos. É melhor assim do que ser hipócrita. É como perder um amigo falso. Ser cego quando você tem dois olhos funcionais também não é legal.

Tina na linha de frente do Bernays Propaganda (Divulgação)

O mundo caminha para mais um mês de uma nova pandemia, o Covid-19. Nesse tempo, muitos artistas se viram obrigados a cancelarem shows e longas turnês. Como isso tudo está afetando o Bernays Propaganda?

Tina Gorovska: Estou tentando ser otimista, mas a realidade é um soco na cara. Isso estragou nossa turnê e o futuro [da banda], com certeza! Teremos que lidar com as consequências da melhor maneira possível. Quando nomeamos o álbum como ‘Terceira Guerra Mundial’, não pensávamos que seria profético e realmente aconteceu assim. A única coisa boa nessa bagunça é que a quarentena do corona provou a necessidade da arte; de repente todo mundo precisa assistir a tantos filmes, ler livros, ouvir música para aliviar a dor do isolamento. Parece que há uma necessidade essencial de música (arte em geral), pois é o melhor conforto nesses tempos difíceis. Melhor que drogas e álcool! Como os shows, turnês e reuniões públicas continuarão no futuro, quem sabe ?! Teremos que esperar e ver. Talvez a parte “comercial” da indústria da música pare por um tempo, mas eles nunca poderão parar a parte “criativa”. Muitas canções serão feitas nesta prisão moderna e muitos livros serão escritos.

Quais questões políticas de seu país em geral influenciam as letras da banda? A Macedônia também entrou na onda da polarização política que assola o mundo atualmente?

Tina Gorovska: Na pergunta: “o que você leu hoje?” 80% das pessoas responderão: ‘eu li o pacote de queijo no supermercado – 1000 calorias, barra de chocolate’ – excelente literatura; 70% de cacau puro.  Eu li o ditado do meu rebanho político, eu li 53 memes, 43 manchetes, percorri todo o facebook, timelines do Twitter, na verdade vi tantas fotos no Instagram que esqueci de ler!’ Ao menos as coisas importantes. O que estamos fazendo com todas essas informações? Estamos fazendo nada com esse belo potencial em nossas mãos. Nossos dias estão presos a notícias triviais. Vamos assistir à mais nova série de TV da Netflix, vamos mergulhar em entretenimento medíocre, desperdiçar o tempo todo que poderia ter sido produtivo e criativo, vamos substituir o inestimável pelo inútil, médicos com salário mínimo e estrelas e jogadores de futebol com o máximo, vamos seguir o padrão de poder e votar nos idiotas dos dois partidos políticos com trajes diferentes (direita/esquerda) que produzem o mesmo roteiro – apenas 1000 pessoas vivem uma boa vida na Macedônia, os outros 2 milhões estão apenas arranhando a superfície. Portanto, a única polarização que sempre esteve presente sob as camadas de ideologias ou marcas étnicas nacionais foi a distinção de classe entre ricos e pobres, e ainda é. A ideologia nunca esteve entre as elites políticas, mas entre as pessoas de baixo. Até os mosquitos e as ovelhas sabem, mas por que reproduzimos constantemente o mesmo esquema que nos deixa infelizes? Talvez porque no fundo do coração, secreta ou publicamente, o oprimido queira se tornar o opressor?

Tina e Vasko ao fundo em ação (Foto: ZdePe)

Vasko, seu projeto paralelo 21 vek acabou de lançar um novo álbum. O que lhe motivou a montar uma nova banda?

Vasko Atanasoski: Tudo começou com o Studio 1060, com Deni Krstev e Rade Jordanovski. Passo a passo, dia após dia, ficou claro que nos tornamos uma banda que cria músicas muito rapidamente. Por isso lançamos 2 álbuns em menos de 2 anos.

Ao ouvir 21 vek e até mesmo o álbum Vtora mladost, treta svetska vojna percebi nuances que lembram bandas brasileiras de rock dos anos 80 e 90. Existe alguma influência de fato ou é apenas coincidência?

Vasko Atanasoski: Eu amo muitas bandas brasileiras de hard core/punk, como Discarga, I Shot Cyrus, Mukeka di Rato… mas minha maior influência é Tom Zé. Eu considero Brasil e todos os outros países sul-americanos muito próximos.

Por falar em conexões brasileiras, você também lançou um single solo contendo um sample da música “Dor e Dor”, do Tom Zé, e em papos anteriores você me disse que ele se apresentou na Macedônia por volta de 1983. Como foi?

Vasko Atanasoski: Há uma história de que Tom Zé veio aqui em algum lugar entre 1983 e 1987. O tropicalismo é muito respeitado aqui por algumas pessoas. Adoro o som e a atitude de Tom Zé.

Aliás, seu nome lembra o de um time muito famoso aqui, mas que não anda muito bem há alguns anos, o Vasco da Gama. Você é bem ligado em futebol, estou certo?

Vasko Atanasoski:  Sim, eu amo futebol e apoio o time local FK Vardar [nota: time da 1ª divisão da liga macedônia] desde que eu era criança. Eu também amo o futebol brasileiro. O primeiro jogador de quem ouvi falar foi Zico. Também adoro a paixão das torcidas brasileiras.

Vasko e parte de sua mega coleção de LPs (Foto Promocional)

Tina, além da diversidade, um dos pontos-chave da musicalidade do Bernays Propaganda é a sua voz. Quais são suas influências e quando você percebeu que cantaria profissionalmente?

Tina Gorovska: Na verdade, sou a mais amadora da banda, na maioria das vezes nem tinha equipamento adequado e microfone. Não sei se sou profissional ou não, sei que queria cantar e escrever letras, histórias do fundo do meu ser, me expressar livre e honestamente, sem limites, meus pensamentos e sentimentos, o que nem sempre foi fácil para mim uma pessoa introvertida e fechada como eu. Quando comecei, a cena musical independente era principalmente um “clube de garotos” e pensei que, como mulher, era importante contar o meu lado da história. Mas, no fim, trata-se extrair algo bom de uma coisa ruim, fazer uma bela música de desespero e tristeza e fazer as pessoas sentirem esperança enquanto ouvem sua música, que é uma verdadeira bênção e alegria.

Outra coisa notável é o trabalho de arte nos vídeos da banda, inclusive pela influência do dadaísmo. Como surgem as ideias?

Tina Gorovska: Os poucos vídeos que temos são resultado de puro entusiasmo e talento do diretor Milan Blazevski e um que foi feito por Bojan Krtolica. O último que eu fiz é apenas um vídeo caseiro desagradável, era uma maneira de sobreviver através da criatividade e não enlouquecer nesses dias de auto-isolamento. O ponto principal do dadaísmo era a colagem da realidade – tudo existe no mundo, tudo é uma questão de escolha inteligente e sincera.

Selecionar algo que já existe na realidade e combiná-lo à sua maneira, dando a ela um novo significado.

Tina no olho do furacão (Foto: Zdepe)

E como anda a cena indie/pós-punk de Escópia e da Macedônia em geral? Há algum espaço na mídia ou somente para artistas já estabelecidos?

Vasko Atanasoski:  A Macedônia é um país pequeno, com pequenas cenas, mas definitivamente sempre houve bons artistas aqui. Não há cobertura da mídia desse som aqui, são apenas alguns blogs e uma rádio independente.

Quais bandas vocês acham que estão fazendo um trabalho legal e que poderiam indicar?

Vasko Atanasoski: É melhor se você puder conferir selos, como Sharla, Kritika.mk, Ako nikoj ne sviri, Kran … você encontrará músicas muito interessantes e bonitas por lá.

Para finalizar, gostaria que vocês listassem três discos que sempre estarão contigo e um que vocês jogariam no lixo. 

Vasko Atanasoski:  Não gosto de ter discos para jogar no lixo, mas sempre há muitos que estarão comigo. Discos do Ohridski Trubaduri, Hüsker Dü, Fugazi, Azra… sempre estarão no meu coração.

Mais uma vez muito obrigado! Fiquem à vontade para considerações finais. O espaço é de vocês.

Vasko Atanasoski: Caro Luiz. Estou tão feliz que nos tornamos amigos e agradecemos muito por nos dar a oportunidade de dizer algumas palavras sobre nós ao público brasileiro. Espero que um dia façamos uma turnê no Brasil e você nos visite aqui na Macedônia.


(Promo shoot)

Bernays Propaganda in the age of isolated relationships: an interview

Music, the indie scene, politics, football, coronavirus; more music. And other subjects which this interview just cannot bear; as an outcome of various emails, social media interaction and video with the coolest Macedonian song master Vasco Atanasoski, one of the brains behind Bernays Propaganda.

With the partner in crime, the vocalist Tina G. known for expressing her emotions through all forms of art, you name it.

Below, a glimpse of the chat with the two great Macedonian names of the Indie scene, as well as the alternative European musical scenario. Enjoy!


Hello how’s everything? First of all, I’d like to thank you for talking to us here at Class of Sounds and with Brazil. As far as I know, this is the first time a band from Macedonia speaks to this part of the world. 

Vasko Atanasoski:  Luiz, I am happy and lucky from the very first time you contacted me and gave me opportunity for friendship. Thank you from the bottom of my heart for giving me opportunity to communicate with Brazil thru you and your awesome music platform Class of Sounds.

It’s my pleasure indeed! Alright, let’s get this interview started! What was on your mind when you founded Bernays Propaganda?

Vasko Atanasoski: In that summer of 2006 I didn’t have nothing on mind since I didn’t really know where this band will lead me and I didn’t know if the band will survive more than a summer. So, it was intuition what was leading me. Every time since then I was suffering when I was just thinking and I was happy when I was just doin’ it.

Did all band members came from the punk scene? What motivated all of you to create something different?

Vasko Atanasoski:  Most (95%) of the Bernays Propaganda’s band members came from diy/hardcore/punk scene. My motivation was status quo of the mid 2000’s local and global HC scene. And here we are, 14 years later playing music bit more different from our origins, but always having same or similar attitude we had from our very first beginnings.

Bernays Propaganda in creative process (Promo shoot)

Vtora mladost, treta svetska vojna (2nd Youth, 3rd World War) is a fantastic album. Maybe the best moment of Bernays Propaganda as a consistently creative band. Where did so much inspiration came from?

Tina Gorovska: It comes from a lack of trust that “the good” are majority, it’s a search for that “flower in the desert”! it’s really hard to find truly independent wo/man in this country, seems that almost everyone is a member of the two political parties that fucked up our lives in the past 30 years. This slavery matrix really frustrates! So, the album is a bittersweet soundtrack of the private war held in the heart of a man or a woman who imported the Third World War at home, with the closest and dearest family, instead of using the energy for fighting outside with the real enemy.

We forgot to trust in good things, we see, comment and observe them on social media from a distance, but we don’t produce them enough. Everything is turned upside-down…We cook food and first we take instagram photo, then we eat. Instead of going out and smelling the nature, we ask the almighty modern God: Google, how does the lavender flower smell? We live indirect life with imported goals  – which are not coming direct from the heart –  getting married because we must, spending more time with colleagues than with loved ones, have constant tantrums cause someone told us that we have to be the best, the fastest, the strongest… The Sun rises and the Sun sets, but we like to complicate in between and surround ourselves with things we don’t need. Who needs all that clothes, cars, shoes, cosmetics? Now we realized that the list of the basics is not what the capitalism told us, but the list is very simple and short:  fresh air, food, shelter, love. And freedom. Before the “covid19” quarantine cage, we chose to live 60% of the time on internet with the smartphone in our hands, ignoring our loved ones, and now we got 100% virtual prison, so we cry for physical contact, movement, the freedom we lost, but as long as we live in cannibalism (capitalism) were we and will we be ever free?

How are your fans reacting to the new material?

Tina Gorovska: I think that most of the people who are listening our music are appreciating the constant changes and experimenting we do with the sound, especially on the last album. I don’t know if we can always call these changes  – growth, but it’s for sure natural habitat which is stronger than our conscience . Also we are aware of the fact that we lost many of the local fans for sure with the last album,that\s a risk we are willing to take, because we were honest. It’s better like that, than being hypocritical. Its like losing a fake friend.  Being blind when you have two functional eyes, is also not cool.

Tina G. in de Frontline (Credits: ZdePe)

The world is heading to one more month of a widespread pandemic crisis of Covid-19. During this period, artists had to cancel concerts and tours. How is this affecting Bernays Propaganda?

Tina Gorovska: I’m trying to be optimist, but the reality punches in the face. It fucked up our tour and future, for sure! We’ll have to deal with the consequences the best we can. When we named the album Third world war, we didn’t think that it will be prophetic and it will really happened like this. The only good thing in this mess is that the corona quarantine proved the need from art, suddenly everyone has need to watch so many movies, reading books, listening music to comfort the pain in the lockdown. Seems that there is essential need for music (art in general), cause its the best comfort in these difficult times. Better than drugs and alchoholJ How the concerts, tours and public gatherings will continue in future, who knows?! We will have to wait and see. Maybe the “business” part of the music industry will stop for a while, but they can never stop the “creative” part. Many songs will be made in this modern prison and many books will be written.  

What political issues from your country inspire and influence the band’s lyrics? Did Macedonia also embarked on this recent wave of political polarization that’s been seen around the world?

Tina Gorovska: On the question: “what did you read today?”- 80% of the people will answer: I’ve read the package of the cheese in the supermarket – 1000 calories, chocolate box– excellent literature, 70% pure cocoa, I ‘ve read the dictate of my political herd, I’ve read 53 memes, 43 headlines, scrolled all the facebook, twitter timelines, actually I saw so many photos on Instagram, that I forgot to read! At least the important stuff. What are we doing when we have approach to all the informations? we are  doing nothing with that beautiful potential in our hands.Our days are trapped with trivia news. Lets watch the newest TV series on a Netflix, lets dive in mediocre entertainment, waste all the time that could have been productive and creative, let’s substitute the priceless with the pointless,  doctors with minimal wage and starlets and football players with maximum, let’s follow the pattern of power and give the vote for the assholes from the two political parties with different (right/left) costumes that produce the same script – only1000 people live a good life in Macedonia, the other 2 million are just scratching the surface. So the only polarization that was always present beneath the layers of ideologies or national, ethnical branding, was the class distinction of rich & poor, and it’s still is.  Ideology was never among the political elites, but among the people from the bottom. Even the mosquitos and the sheeps knows, but then why do we constantly reproducing the same scheme that makes us unhappy. Maybe because deep in the heart, secretly or publicly, the oppressed wants to became the oppressor?

Vasko A. and Tina G. (Promo Shoot)

Vasko, your side project, 21 vek, just released a new album. What made you put together a new band?

Vasko Atanasoski: Everything started with hanging out in Studio 1060 with Deni Krstev and Rade Jordanovski. Step by step, day by day it was clear that we’ve become band which creates songs really fast. That’s why we’ve released 2 albums in less than 2 years.

When listening to 21 vek, and even Vtora mladost, treta svetska vojna, I noticed some musical nuances that remind me of brazillian rock bands from the 80s and 90s. Is there in fact any influence? Or is it just coincidence?

Vasko Atanasoski: I love a lot of Brazilian hard core/punk bands like Discarga, I shot Cyrus, Mukeka di Rato…but my biggest influence is Tom Ze. I consider Brasil ( and all other south American) countries as very close.

Talking about Brazilian connections, you released a single with the sample of “Dor e Dor” by Tom Zé. In previous interviews, you mentioned he played in Macedonia circa 1983. Were you there? How was that? In Brazil he is associated with the artistic / political movement called Tropicalismo, but his works are better known in other countries. 

Vasko Atanasoski: There is a story that Tom Ze came here somewhere in period between 1983 and 1987. Tropicalismo is very respected here by some people. I love the sound and attitude of Tom Zé.

By the way, you name resembles the name of a very big football team here in Brazil, but they haven’t done very well in the past years, Vasco da Gama. You are very hooked on football, is that right?

Vasko Atanasoski:  Yes, I love football and I support local team FK Vardar since I was the kid. I also love Brazilian football. First player I ever heard of was Zico.I also love the passion of Brazilian Torcidas.

Vasko Atanasoski (Promo Shoot)

Tina, besides your diversity, your voice is also one fo the key points to Bernays Propaganda. What has influenced you as a singer? And when did you find out you wanted to sing professionally?

Tina Gorovska: I’m actually the biggest amateur in the band, most of the time I didn’t even had proper equipment and a microphone. I don’t know am I professional or not, I know that I wanted to sing and write lyrics, stories from the bottom of my being, to express freely and honestly without a limit, my thoughts and feelings, which was not always easy for a introvert closed “shell” person like me. When I started the musical independent scene was mostly a “boys club” and I thought that as a woman its important to tell my side of the story. But on the end it’s all about making a good thing out of bad thing, making a beautiful song out of despair and sadness, and making people feel hope while they are listening to your music, that’s a real blessing and joy.

The art displayed in the videos produced by the band, including the Dadaism aesthetic, is remarkable. How do these ideas come to the surface?

Tina Gorovska: The few videos that we have are result of pure enthusiasm and talent of the director Milan Blazevski and one is made by Bojan Krtolica. The last one I made and its just a unserious home video, it was a way to survive through creativity and not to go mad in this self-isolation days. The main point of the Dadaism was collage of reality – everything exists in the world, its all a matter of smart and sincere choice.
Selecting something that already exists in reality and combine it on your own way, giving it a new meaning.  

And how are the indie and post-punk music scenes at Skopje and Macedonia in general? Is there any media coverage at all, or it’s just for established, bigger artists?

Vasko Atanasoski: Macedonia is a small country with a small scenes but definitely there was always good artists here. There is no media coverage of that sound here, it’s all just few blogs and one indie radio.

Sold out concert before the pandemic (Credits: Zedepe)

Would you name which macedonian bands are composing material you like?

Vasko Atanasoski:  It’s best if you can check labels like Sharla, Kritika.mk, Ako nikoj ne sviri, Kran…you will find some very interesting and beautiful music there.

Finally,I am curious about one thing: can you list three records that you will listen to for the rest of your lives and one that you would throw in the trash can?

Vasko Atanasoski:  I don’t like the records that I will throw in trash, but there is a lot a always bring with me. Records from Ohridski Trubaduri, Husker Du, Fugazi, Azra…will always be in my heart.

Once again thank you very much! Feel free to state your final considerations, the room is yours.

Vasko Atanasoski:  Dear Luiz. I am so happy we become friends and thanx so much for giving us opportunity to say some words about us to Brazilian public. Hope one day we will tour Brazil and you’ll visit us here in Macedonia.


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Entrevista/Interview: Luiz Athayde
Revisão/Text Revision: Led Brasil/Andrey Gonçalves/Leo Pichara
Fotos/Photo: Reprodução/ZdePe

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