Chandeen – Mercury Retrograde

Chandeen – Mercury Retrograde

Novo voo deste projeto alemão vai muito além das fronteiras do dreampop

Por Luiz Athayde

Os tempos de darkwave parecem mesmo terem se esvaído do Chandeen. Ao longo dos anos – e dos discos – o projeto alemão nascido em 1990, na cidade de Weimar incorporou tantas influências que rotulá-los usando apenas uma etiqueta soa, por mais clichê que seja, limitar sua sonoridade.

Centrado no compositor, produtor e multi-instrumentista Harald Löwy e, desde 2008 na cantora e compositora Julia Beyer, Mercury Retrograde figura o registro número 12 da vasta discografia deste ato.

Chandeen (foto: Divulgação)

Pouco antes de seu lançamento, dois singles foram lançados: “Vanish” e “Ocean Mind”, contando com a belíssima voz da jovem cantora Odile; ambos como prévia do nível que o duo havia alcançado.

Bem no dia do álbum sair do forno (28/02), a faixa a ganhar videoclipe foi a celestial “You’re in a Trance”; essa capitaneada pela cantora Kitty.

Tudo já estaria de bom tamanho se fosse apenas um EP, até irmos para a sequência correta do álbum e nos depararmos com “Summer’s Fling”, uma verdadeira parede sonora de arranjos que nos remetem a nuances de vão do Neo-prog (sim, rock neoprogressivo) ao Adult Contemporary; imediatas conexões floydianas e não intencionais toques de Galahad são sentidos ali.

“I Don’t Care If I’m Was” traz outra jovem cantora no páreo. Holly Henderson faz as honras em uma das faixas mais radiofônicas do registro; balada simples, direta e no ponto para os diais mundo afora – como nos anos 90.

Kitty aparece mais uma vez na que pode ser a mais jazzy – Adult Contemporary ataca novamente! – do álbum e facilmente uma das composições mais charmosas do Chandeen. Suas tonalidades etéreas combinadas com um quê de melancolia (especialidade do duo) conseguem soar mais do que uma mera música com aquele clima de fim de tarde.

“All Ghosts” começa como mais uma canção voltada para o piano, e até chega a ser, mas o grande destaque é certamente o solo de guitarra que toma forma em seu desfecho. Fez toda a diferença e só acrescentou mais feeling ao contexto.

A essa altura é impossível ignorar as influências de jazz em torno do disco. Ou pelo menos é associação que se faz quando se incorpora metais (sax, clarinete, etc) em uma música. “Cause It’s Slow” traz Kitty de volta aos microfones, em um quase spoken word melancólico, e também com cara de interlúdio, dado seus poucos mais de 2 minutos de duração.

Ethereal Wave é a máxima na penúltima faixa “Wild at Heart”. A ordem aqui é se acomodar no assento mais confortável possível e esvaziar a cabeça. No fechamento do álbum, Henderson novamente e sua aura radiofônica de pegada noventista, mas bem distante da nostalgia.

Mais uma vez o Chandeen deixou de lado as guitarras líquidas influenciadas por Cocteau Twins, de álbuns como Shaded by The Leaves (1994) e Jutland (1995). Na verdade, fez melhor: revitalizou seu som, moldando a ponto de deixá-lo singular perante a tantos atos denominados “dreampop”, “ethereal” e viagens afins.

Mercury Retrograde é o auge de um dos nomes mais criativos nascidos no cenário darkwave, mesmo com seu mote pop. Grande álbum, e que promete passar no teste do tempo.

Ouça Mecury Retrograde no Spotify.

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