Cat Vids faz estreia discográfica com “Radicalíssimo”

Cat Vids faz estreia discográfica com “Radicalíssimo”

O que era um projeto solo agora toma ares de banda

Por Luiz Athayde

Se São Paulo não é o epicentro esponjoso de bandas chamadas ‘indie’ é, no mínimo, a mais visível. Em um mar de nomes que pintam a cada segundo em todas as esquinas – ou casas, já que em teoria, nos encontramos em quarentena em função do novo coronavírus – eis que surge a Cat Vids.

Com gênese documentada na classe de 2017 pelo guitarrista e vocalista Pedro Spadoni, o que era um projeto envolto a demos foi aos poucos migrando para o que veio a ser o EP Radical. A essa altura Paulo Senoni (guitarra), Tiago França (baixo) e Aécio de Souza (bateria) já completava a formação.

Cat Vids (Divulgação)

Foi então que juntos começaram um esquenta para o disco de estreia Radicalíssimo, através da websérie Como Gravar Um Disco de Sucesso.

Editado pelo carimbo Schwreables Records o primeiro álbum da rapaziada traz participações especiais de Bruna Guimarães, da banda Brvnks, e Chrisley; dois grandes amigos por sinal.

O mesmo teve produção assinada por Spadoni e Senoni, com o devido auxílio de Alejandra Luciani, como relembrou o vocalista: 

A participação da Alejandra foi essencial também para ajudar a viabilizar as ideias sonoras que tivemos para cada música. Ela acabou co-produzindo o disco com a gente, indo além de ser técnica de som. O Paulinho cuida da mix desde o Radical, e fomos bem detalhistas na mix do disco, fazendo diversas reuniões “mão-na-massa” presenciais e até gravando complementos pro arranjo na casa dele em cima das novas versões das mixes”.

A resultante de todo o processo é um registro repleto de referências que naturalmente passeiam por novos nomes do indie/pop/punk, como No Vacation, Pope, Hockey Dad, Modern Baseball e White Stripes – ok, o duo data do fim dos anos 90 e explodiu nos 2000, mas é uma banda essencialmente millennial –, bem como Pavement, Pixies e nuances que incluem até o surf rock, ou uma espécie de Ventures esfumaçado; depende de como os ouvidos absorverem.

“Mayday” é a faixa que abre o disco composto por músicas em português e com a máxima de apresentar uma aura divertida – e até boba em alguns momentos. Rock básico, sem caras e bocas, e estratégia mais certeira como faixa 1.

“Cingarro” (isso mesmo, com “n”) vem na sequência e totalmente pronta para uma trilha de vídeos de surf em sépia. Sem dar tempo para respirar, “Bebe Demais” vai com todo o gás de um rock de garagem, e ainda trazendo sutis arranjos com sintetizadores. Outro ponto curioso é a letra, que tem como ideia “desmistificar essa cultura popular de incentivo ao consumo alcoólico”, como contou Spadoni.

Exageros alcoólicos à parte, a sessão de ondas continua firme e forte com a ramoniana “Ash Ketchum”, onde Bruna participa. Ainda sobre canjas, Alejandra empresta sua voz para os backing vocals de “Dress Code”, típica pisada no freio dos discos.

A faixa seguinte é uma composição dos primórdios. Na verdade, antes mesmo do EP de estreia. “Kundera” segue a linha direta de boa parte do registro, mas com uma pegada levemente mais triste. Com título extraído do escritor Milan Kundera, de A Insustentável Leveza do Ser, a música aborda o drama de quem empresta livros e nunca mais os vê de volta. Aliás, quem nunca?

“Calabokitos” apresenta outra participação, a do bom amigo Chrisley, que só não bate de frente com Napalm Death porque possui 4 segundos a mais que a faixa “You Suffer”, da banda britânica.

Pedro Spadoni (Divulgação)

Caminhando para o desfecho do álbum “Já Chorei” mostra alguns dos clichês mais usados por grupos indie; a pegada lo-fi. A banda cita Good Morning e Alex G como principais influências da música, mas a resultante, especialmente nos vocais “maria mole” remete mais a nomes como Boogarins, mas não no melhor sentido.

Para o encerramento, “TV Shows” e toda sua preguiça; cortesia de seu mote surf semi-acústico, que também traz outro astral em relação a faixa anterior.

Radicalíssimo é aquele tipo de disco feito para ser conferido ao vivo e em cores, já que complicação parece ser uma palavra inexistente no vocabulário dos caras. “Não somos muito fãs de enrolação”, já dizem logo.

E como ainda nos encontramos distantes de poder curtir shows no modo tradicional (se isso for possível), o jeito será radicalizar em casa mesmo, com um belo rock no volume 10; com Cat Vids.

Ouça Radicalíssimo no Spotify:

https://open.spotify.com/album/4UMleyyYfSrkcqf1LacoRC
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