Anna Homler: “O que eu canto vai além de gênero”
Foto: Martin Morisette/Martin Cox

Anna Homler: “O que eu canto vai além de gênero”

Conversamos com a artista visual por trás de sua maior expressão: Mulher Pão

Por Luiz Athayde

Depois de duas resenhas de discos e alguns contatos, conseguimos falar com Anna Homler ! Artista visual, vocal e performática sediada em Los Angeles, ela já se apresentou em diversos lugares ao redor do mundo, revelando sua sensibilidade antiga e ao mesmo tempo pós-moderna através de cantos em uma linguagem melódica improvisada, além de lançar mão de objetos para usar como instrumentos. 

E é especialmente pelo seu alter ego Breadwoman que esta artista explora e cria intervenções perceptivas usando a linguagem como música e os objetos como instrumentos. Em conversa breve, mas elucidativa, Homler deu detalhes sobre seu trabalho.

Olá, Anna tudo bem? Muito obrigado por falar com o Class of Sounds. Quando você descobriu que gostava de experimentar sons?

AH: No início dos anos 90, com brinquedos e objetos. Eu costumava fazer participações especiais com um grupo em Los Angeles chamado The 4 Gunas. Comecei a cantar muito antes disso, com o personagem Breadwoman. Eu costumava cantar no meu carro enquanto dirigia por LA. Meu carro era e ainda é o meu estúdio.

Anna Homler ao vivo

Seu primeiro trabalho “Breadwoman”, de 1985 é um marco em sua carreira. Como surgiu sua concepção?

AH: Eu colaborei com o falecido Steve Moshier nas peças de paisagem sonora e o falecido Ethan James nas faixas com uma pegada mais de canção. Os dois eram muito diferentes. Steve organizou os cantos e fez um mundo eletrônico para inseri-los. Ethan e eu fizemos, na verdade, música pop alternativa.

Eu desenvolvi o conceito lentamente. A música sempre esteve lá e então uma figura apareceu para mim… era de uma anciã sábia que era tão velha que seu rosto se transformou em pão. Ela foi a primeira e a última de uma raça antiga que cantou em uma língua primitiva.

As letras soam como se fossem uma mistura de línguas eslavas e africanas. É isso mesmo ou você criou um novo idioma para o álbum?

AH: Não. A linguagem simplesmente surgiu do nada, da forma que apareceu. Eu gosto de pensar que canto em uma linguagem celular universal que tem os sons baseados nas raízes de muitas línguas.

Existe alguma mensagem por trás deste e de seus outros trabalhos? Alguma relação direta e exclusiva para as mulheres?

AH: Há um significado mais profundo, mas não uma mensagem oculta como tal. Eu estou cantando para as células, então vai além do gênero.

A Mulher Pão de Homler

Para você, quem são as mulheres pão (da vida real)? Algum nome famoso?

AH: Breadwoman é uma combinação de minha mãe, avó, O Homem Elefante [filme de David Lynch] e um sem-teto. Se ela fosse uma pessoa famosa, seria uma deusa disfarçada… como Ísis ou Deméter.

Uma coisa que desperta curiosidade é que “Breadwoman” vem de uma época em que o mainstream era tomado pelo Pop e o Glam Metal. Sendo uma artista de Los Angeles, por que você seguiu um caminho diferente?

AH: Ela surgiu do jeito que tinha que surgir. Não foi uma decisão consciente. 

Seu novo trabalho Deliquium in C contém apenas 4 faixas, todas voltadas para o Ambient Music. Qual a diferença que você vê entre a Anna Homler de 2019 e a de 1985?

AH: Meu publico é jovem. Deliquium in C foi fortemente curado pela gravadora.

Onde seu trabalho é mais conhecido? Nos Estados Unidos ou na Europa?

AH: Eu acho que sou mais conhecida na Europa. Há mais oportunidades para mim lá. As pessoas com quem toco agora estão na Europa, mas isso já acontece há muito tempo.

Com que frequência você faz shows ou turnês? Acontece mais em palcos tradicionais ou em eventos fechados?

AH: Sempre que eu posso! Normalmente, saio em turnê de 2 a 3 vezes por ano. E isso depende de onde sou convidada.

Assim como você, sempre houveram artistas que estiveram na contramão do Status Quo musical, como Björk, a banda japonesa Boredons e os brasileiros Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. Você conhece/gosta dos trabalhos desses nomes?

AH: Eu conheço esses nomes, e eu já ouvi Björk.

Anna, obrigado novamente. Espero que um dia os brasileiros possam ter a experiência de uma apresentação sua por aqui.

AH: Obrigada e tudo de bom!

Anna Homler: “I’m singing to the cells, it’s beyond gender”

After two record reviews and sending out some emails, COS had the privilege to interview Anna Homler! Visual artist, vocalist, and performer, this L.A. transplant has performed in various venues around the world. Her concerts reveal an aged but still post-modern sensibility. Her alter ego Breadwoman is a conduit to explore and generate perceptive interventions using language as music and objects as instruments. In this short but elucidative interview, Homler shares details about her work.

When did you realize you like to experiment with sounds, timbres…?
AH:  In the early 90’s with toys and objects. I used to sit in with a group in LA  called the 4 Gunas. I started singing way before that,  with the character  Breadwoman. I used to sing in my car as I drove through LA. My car was and still is my studio.

Your first work 1985’s “Breadwoman” is a landmark in your career. How did you work on the concept of your compositions?

AH: I collaborated with the late Steve Moshier on the more soundscape pieces and the late Ethan James on the more song-like tracks. The two were very different. Steve arranged the chants and made an electronic world for them to live in. Ethan and I did actual alternative pop songs.

I grew the concept slowly.  The music was always there and then a figure appeared to me…that of an ancient wise woman who was so old her face had turned to bread.She was the first and the last of an ancient race who sang in a primal language.

Anna Homler

The lyrics sound like a mix between Slavic and African languages. Did you combine elements of different dialects to create your “idiom” for the album?

AH:
No. The language just bubbled up, as is.  I like to think that I sing in an universal, cellular language that has the root sounds of many languages.

Is there any hidden message in your current and your previous works? Any direct and exclusive communication to the female audience?

AH:  There is a deeper meaning, but not a hidden message as such. I’m singing to the cells, so it’s beyond gender.

In your opinion, who represents the Breadwoman? Any character or famous person?

AH: Breadwoman is a combination of my mother, grandmother,  Elephant Man and a homeless person. If she was a famous person, she would be a goddess in disguise… like Isis or Demeter.

Anna Homler’s Breadwoman

Breadwoman is from a time when Pop and Glam dominated the mainstream, especially in Los Angeles. Why did you decide to take a different route in your career?

AH: She just emerged the way she did. It wasn’t a conscious decision.


Your new work – Deliquium in C has four tracks, firmly rooted in Ambient Music. What are the most significant differences in your career between now and 1985? 

AH: My audience is younger. Deliquium in C was heavily curated by the label.

Where is your work more recognized: the USA or Europe? 

AH: I think I am more known in Europe. There are more opportunities for me there.
The people I play with now are based in Europe, but that has been true for a long time.

How often do play a concert and go on tour? Is it a traditional concert (for an open crowd) or do you bet more on private events?

AH: As often as I can! Usually, 2 to 3 times a year I am on tour. It depends were I am invited.

Anna Homler & Steven Warwick live

Several artists like the Brazilians Egberto Gismonti and Hermeto Paschoal, the Icelandic Björk, and the Japanese band Boredons… have taken the same path you took in your career: to go against the grain of the musical status quo. Do you happen to know any of these artists mentioned above?

AH: I know their names and I have heard Björk.

Anna, thank you so much! I hope that we Brazilians get the chance to experience your live music in here. Class of Sounds wishes all the best for your career! 

AH:  Thank you and all the best!

Mais Anna Homer no / More Anna Homler on: https://annahomler.com

Entrevista/Interview: Luiz Athayde
Revisão/Text Revision: Andrey Gonçalves
Fotos/Promo Pic: Martin Morisette/Martin Cox/Udo Siegfriedt

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